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Internacional

Conselho de Segurança convoca reunião de emergência após ataque químico na Síria

MOHAMED AL-BAKOUR

Governo de Bashar al-Assad desmente ter recorrido a armas químicas no ataque contra uma parte de Idlib controlada pelos rebeldes. Ministério da Defesa russo defende que força aérea síria atingiu depósito de armas da oposição

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de emergência esta quarta-feira, após um alegado ataque químico ter causado dezenas de mortos entre a população civil de Idlib, província do noroeste da Síria quase totalmente controlada pelos rebeldes que combatem as forças de Bashar al-Assad.

As alegações de que o governo usou agentes químicos banidos, provocando a morte por asfixiamento a pelo menos 72 pessoas, são desmentidas pelas autoridades em Damasco. O Ministério da Defesa da Rússia, país grande aliado do regime sírio, diz que a força aérea síria atingiu "uma fábrica de produção de minas antipessoal cheia de substâncias venenosas" controlada pelos rebeldes, e que foi isso que levou à libertação de químicos entre a população.

A versão avançada por Moscovo é sustentada por fontes do exército sírio no terreno, que um dia antes do ataque de terça-feira tinham relatado uma explosão no que classificaram como "fábrica de armas químicas rebeldes" em Khan Sheikhoun, a cidade atingida. Os EUA e outras potências, contudo, responsabilizam o governo de Assad pelo ocorrido. A ONU já abriu uma investigação ao sucedido.

Imagens publicadas por ativistas na internet mostram dezenas de civis, muitos deles crianças, engasgados e a espumarem da boca logo a seguir aos bombardeamentos aéreos das forças leais a Assad. Testemunhas no terreno garantem que, na sequência do alegado ataque químico, novos ataques aéreos tiveram como alvos as clínicas onde os feridos estavam a receber tratamento.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, coloca o balanço de mortos em pelo menos 72, incluindo 20 crianças. O grupo de monitorização diz que não foi possível detetar que arma química foi usada, mas grupos da oposição a Assad dizem acreditar que se tratou de gás Sarin, um agente nervoso que já terá sido usado na guerra civil síria. Investigações da ONU no ano passado apuraram que essa e outras armas químicas já terão sido usadas tanto pelo regime como pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria e no Iraque.

O ataque desta terça-feira vem ensombrar a conferência internacional que, esta semana, vai juntar em Bruxelas mais de 70 nações para discutir a ajuda externa à Síria, numa altura em que o conflito, agora no sétimo ano consecutivo, continua sem solução à vista. Os delegados que representam cada país querem aumentar o acesso a ajuda humanitária aos milhares de civis encurralados nos principais focos geográficos da guerra, uma que desde 2011 já provocou quase cinco milhões de refugiados, mais de seis milhões de deslocados internos e pelo menos 250 mil mortos.

O encontro de emergência do Conselho de Segurança desta quarta-feira foi convocado por França e Reino Unido horas depois do ataque, um incidente que para o embaixador britânico na ONU é "muito má notícia para a paz na Síria". "Isto é claramente um crime de guerra e peço aos membros do Conselho de Segurança, que até agora usaram o seu poder de veto para defenderem o indefensável, que alterem a sua rota", declarou Matthew Rycroft aos jornalistas em Nova Iorque, numa referência à Rússia de Vladimir Putin, que até agora já chumbou seis resoluções de condenação ao regime sírio.

Em comunicado, o Presidente dos EUA condenou "estas ações hediondas" que atribui ao governo de Bashar al-Assad. Rex Tillerson, secretário de Estado de Donald Trump, acrescentou que o regime sírio é responsável por uma "barbárie brutal e descarada". Por sua vez, Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, disse que é necessário "identificar claramente" os responsáveis pelo ataque "horrível".