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Suspeito do atentado no metro de São Petersburgo é do Quirguistão

O Presidente russo Vladimir Putin deslocou-se às instalações do Metro de São Petersburgo para prestar homenagem às vítimas

STR / AFP / Gatty Images

Há informações contraditórias sobre a forma como o homem de 23 anos terá executado o ataque de segunda-feira à tarde. Serviços de segurança já desmentiram ter havido duas explosões em estações de metro distintas. Balanço oficial de mortos subiu entretanto para 14, havendo pelo menos 45 feridos

O principal suspeito do atentado bombista que esta segunda-feira provocou pelo menos 11 mortos e 45 feridos no metro de São Petersburgo é Akbarzhon Jalilov, um cidadão do Quirguistão nascido em Osh, em 1995, que obteve nacionalidade russa. A informação foi avançada pelos serviços secretos quirguizes, sem confirmarem se Jalilov era um bombista suicida que também perdeu a vida no atentado.

Os media estatais do Quirguistão dizem manhã que a agência de informação do país "está em contacto com os serviços secretos russos para aprofundar a investigação". As autoridades de São Petersburgo já declararam três dias de luto no rescaldo da explosão. A essa hora, o Presidente russo Vladimir Putin estava na cidade, que é a sua cidade-natal, tendo visitado a cena do ataque pouco depois. Para já não foram divulgados mais pormenores sobre o ataque, que ainda não foi reivindicado por qualquer grupo insurgente.

Esta segunda-feira, Donald Trump telefonou a Putin para lhe garantir "total apoio" na procura pelos responsáveis do ataque, para que podem ser capturados e julgados. "Tanto o Presidente Trump como o Presidente Putin concordaram que o terrorismo deve ser derrotado de forma rápida e decisiva", anunciou a Casa Branca em comunicado. Angela Merkel, chanceler da Alemanha, descreveu o atentado como um "ato bárbaro" e a chefe da diplomacia da União Europeia Federica Mogherini enviou as condolências ao povo russo.

As primeiras imagens do local do crime mostram um comboio parado na estação Tekhnologichesky Institut, com um buraco num dos lados de uma carruagem e passageiros feridos na plataforma. Inicialmente tinham sido noticiadas duas explosões, uma naquela estação e outra na de Sennaya Ploshchad, uma informação que foi desmentida pela Comissão Nacional Russa Antiterrorismo (CNAT); houve apenas uma explosão, entre aquelas duas estações, pelas 14h30 locais (12h30 em Lisboa).

Aos media russos, a investigadora Svetlana Petrenko explicou que o facto de o maquinista ter decidido seguir viagem terá ajudado a salvar vidas por ter permitido que as pessoas fossem socorridas com maior rapidez. A ministra da Saúde Veronika Skvortsova anunciou que dez pessoas morreram, sete delas no local, uma na ambulância e duas já no hospital. O balanço seria mais tarde revisto para 11 e, esta terça-feira de manhã, para 14, após três pessoas terem sucumbido aos ferimentos no hospital.

Andrei Przhezdomsky, chefe da CNAT, informou que a explosão foi causada por "um engenho explosivo não-identificado"; a descoberta de outro engenho semelhante na estação de Ploshchad Vosstaniya, antes de detonar, sugere que este poderia ser um ataque coordenado.

A agência russa Interfax aponta esta terça-feira que a prioridade agora é apurar se o suspeito de 23 anos mantinha ligações a grupos radicais islâmicos. Foi essa agência a primeira a noticiar que o homem era um bombista suicida e que a sua identidade foi apurada em análises aos seus restos mortais. Contudo, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, recusou-se a confirmar essa versão. Outra agência de notícias russa, a Tass, está a avançar que uma mulher pode ter estado envolvida no ataque.

O sistema de metro de Sãp Petersburgo é usado diariamente por mais de dois milhões de passageiros e nunca tinha sido palco de atentados terroristas, ao contrário da capital. Em 2010, 38 pessoas morreram num duplo atentado suicida executado no metro de Moscovo; um ano depois, 27 pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas na sequência da explosão de uma bomba num comboio de alta velocidade em rota de uma cidade para a outra. Esses dois ataques mais recentes foram ambos reivindicados por grupos islamitas.