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Dijsselbloem quase pede desculpa. Quanto ao pedido de demissão, nem uma palavra

BART MAAT

A polémica estalou quando o presidente do Eurogrupo utilizou a expressão “aguardente e mulheres” quando falava sobre a solidariedade europeia para com os países que pediram ajuda durante a crise financeira. Uma vez mais, defendeu que foi mal interpretado. “No futuro, terei mais cuidado”

Nem uma palavra quanto ao pedido de demissão. Jerome Dijsselbloem respondeu à carta do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), que pediu a sua demissão na sequência da polémica ““aguardente e mulheres”. Numa carta dirigida, esta terça-feira, aos “caros membros do Parlamento Europeu”, o presidente do Eurogrupo volta a explicar-se e reafirma que foi mal interpretado.

“Nos dias seguintes à publicação da entrevista, a minhas palavras foram associadas à situação dos países do sul da Europa durante os anos da crise. É muito infeliz que essa ligação tenha sido feita e não foi isso que eu disse. E, certamente, não foi isso que quis dar a entender. A crise teve impacto nas sociedades da zona euro com um grande custo social e a solidariedade foi mais do que justificada”, pode ler-se no documento assinado por Dijsselbloem. “Lamentavelmente, algumas pessoas ficaram ofendidas pela forma como me expressei. A escolha das palavras é, obviamente, pessoal, tal como a forma como as mesmas são citadas. Serei ainda mais cuidadoso no futuro, pois não é minha intenção insultar pessoas”, acrescenta o presidente do Eurogrupo.

Em causa está a entrevista ao jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, em que o presidente do Eurogrupo fala sobre a solidariedade europeia. As “palavras exatas” que usou são recordadas na carta agora enviada.

“Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o pacto no seio da zona euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu”, disse Dijsselbloem na entrevista ao jornal alemão.

Nos dias que se seguiram à publicação da entrevista, foram várias as vozes que criticaram as declarações de Dijsselbloem, incluindo Portugal, que pediu a demissão do presidente do Eurogrupo. A 27 de março, o PPE pediu formalmente que o holandês fosse afastado do cargo.

Na carta agora enviada, que não é exatamente um pedido de desculpa, Dijsselbloem insiste que as suas declarações foram ditas relativamente à “importância da solidariedade e reciprocidade dentro da União Europeia”.

“Para a solidariedade entre os estados-membros, que bastante valorizo, é crucial que todos se mostrem compromisso e responsabilidade”, refere. Mais à frente, acrescenta: “Deixem-se ser absolutamente claro, isto aplica-se a todos os membros da UEM [União Económica e Monetária]. Os enquadramentos do Pacto de Estabilidade e Crescimento e da União Bancária são o que mantêm a zona euro unida e forte”.

Dijsselbloem termina garantindo que está “completamente empenhado” no trabalho em conjunto com os membros do Parlamento Europeu e todos os cidadãos para “fortalecer as nossas economias e uniões monetárias”.