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Internacional

Ataque homofóbico desencadeia onda de solidariedade na Holanda

Um casal homossexual foi agredido por um grupo de jovens no domingo, o que lançou o debate em torno do aumento da violência homofóbica no país e motivou alguns políticos — homens — a andarem na rua de mãos dadas, incluindo o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem

Jasper e Ronnie caminhavam de mãos dadas, no domingo, quando foram atacados por um grupo de jovens com idades entre os 14 e os 20 anos. Aconteceu em Arnhem, na Holanda, tendo o casal homossexual sido agredido com violência. O caso gerou uma onda de solidariedade no país, a que se associaram várias personalidades, nomeadamente entre a classe política.

Aceitando associar-se ao desafio lançado pela jornalista Bárbara Barend. Alexander Pechtold, nome forte dos liberais de esquerda, chegou esta semana ao Parlamento de mão dada com Wouter Koolmees, um dos seus colegas. Pouco depois partilhava a fotografia na sua conta no Twitter. “Achamos que o normal na Holanda é não termos de nos esconder”, escreveu.

O mesmo fizeram os sociaisdemocratas Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças demissionário, e Lodewiijk Asscher, líder do partido, mas passeando numa praia.

A agressão chamou a atenção para o facto de as manifestações homofóbicas estarem a aumentar na Holanda, o que levou o assunto à mesa de negociações da futura coligação no Governo.

Os dois homens, de 35 e 31 anos, regressavam de uma festa, de madrugada. De acordo com testemunhos, voltavam para casa e caminhavam numa zona mais distanciada do centro da cidade quando um grupo de seis ou oito jovens os rodearam, começando por insultá-los.

“Não temos o hábito de andar de mãos dadas, para não chamar a atenção, mas estava escuro e não se havia ninguém na rua”, contaram. Resolveram ignorar as ofensas verbais, continuando a caminhar, mas “de repente vimos que um deles retirava do casaco uma tesoura e ficamos com medo”.

Ronnie perdeu cinco dentes e Jasper acabou com várias costelas magoadas, além de inúmeros hematomas e nódoas negras.

Esta segunda-feira, quatro dos suspeitos entregaram-se à polícia, enquanto a associação holandesa que representa a comunidade LGTB alerta para o facto de este tipo de agressões ter passado de 400 para 600 nos últimos seis anos.