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Vitória de Lenín Moreno no Equador permite a Assange respirar de alívio

Lenin Moreno, que em 1998 ficou paraplégico devido a um assalto, prometeu usar as receitas exploração petrolífera para reforçar os apoios sociais no país que conta com 16 milhões de habitantes

RODRIGO BUENDIA/GETTY

A vitória do vice-Presidente na segunda volta, por escassa margem e contra as previsões das sondagens, está a ser contestada pelos apoiantes de Guillermo Lasso. Este anunciara a intenção de pedir ao fundador da Wikileaks para abandonar a embaixada do país em Londres

“Com o coração nas mãos, agradeço a todos os que em paz e harmonia foram votar. Serei o Presidente de todos e vocês vão ajudar-me”, afirmou Lenín Moreno, o ex-vice-presidente do Equador, que somava 51,12% dos votos, contra 48,88% de Guillermo Lasso, quando estavam contados 96,21% dos votos. Moreno era o preferido do Presidente cessante, Rafael Correa.

A vitória do candidato da Aliança País (no poder) está a ser contestada pelos apoiantes do ex-banqueiro Lasso, que falam em fraude e que quebraram vedações metálicas para tentarem chegar à sede da comissão eleitoral, em Quito. “Isto é muito perverso, Não o vamos permitir”, declarou Lasso, apelando aos seus apoiantes para que contestem pacificamente os resultados. “Vamos defender a vontade do povo equatoriano face à tentativa de fraude, para instalar aquilo que seria um Governo ilegítimo.”

Os resultados contrariam as previsões das últimas sondagens antes do sufrágio, que chegaram a colocar o candidato da oposição com seis pontos de vantagem. A derrota de Lasso é uma boa notícia para o fundador do Wikileaks, Julian Assange, pois o candidato anunciara que ia pedir-lhe para abandonar a Embaixada do Equador em Londres, onde se encontra alojado desde 2012.

A esquerda está no poder no Equador há mais de uma década e as eleições estão a ser observadas atentamente dentro do quadro político da América Latina. Brasil (por destituição de Dilma Rousseff), Argentina e Peru (estes nas urnas) mudaram nos últimos meses para regimes de direita, enquanto Nicolás Maduro permanece no poder na Venezuela, sob forte turbulência.

Moreno prepara-se para suceder a Correa, que se afirmou como Presidente do “socialismo do século XXI”. Entre as suas promessas, encontra-se o uso das recitas da exploração de petróleo no Equador para reforçar os apoios sociais neste país de 16 milhões de habitantes. Vice-Presidente entre 2007 e 2013, Moreno ficou paraplégico em 1998 na sequência de um assalto.