Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Trump é como Nixon mas pior, diz Robert Redford

Alex Wong/GETTY

O protagonista de um célebre filme sobre a investigação jornalística do Watergate deu as suas opiniões sobre o novo Presidente, e fê-lo no mesmo jornal que publicou a investigação desse escândalo

Luís M. Faria

Jornalista

Robert Redford vê paralelos entre os presidentes Richard Nixon e Donald Trump, e algumas diferenças preocupantes. As semelhanças têm a ver com o desprezo pela imprensa e com a obsessão em contrariar o papel dela em escrutinar as ações de quem está no poder. As diferenças são o resultado de uma evolução negativa na política americana.

Nos anos 70, quando eclodiu o escândalo Watergate, era possível democratas e republicanos unirem esforços contra a atividade criminosa do Presidente norte-americano; Nixon teve de se demitir quando percebeu que o Congresso o faria se ele não tomasse a iniciativa. Hoje, com as divisões políticas extremadas, Redford tem sérias dúvidas de que isso pudesse acontecer.

O ator norte-americano, cujo filme sobre o Watergate (“Os Homens do Presidente”) é considerado um dos melhores jamais feitos sobre a imprensa, deu as suas opiniões numa coluna que o diário “Washington Post” publicou este fim de semana.

Para o ator, no que respeita à atitude para com a imprensa Trump é uma versão de Nixon em pior. O atual residente na Casa Brabca levou as acusações falsas sobre jornalismo miserável e descuidado “a novas e perigosas alturas”. Redford refere como Trump alega a desonestidade dos jornalistas e lhes chama “inimigos do povo americano” nos seus tweets. O tipo de linguagem cujos riscos outros comentadores têm assinalado.

A diferença em relação a 1972, escreve Redford, é que hoje a nossa noção da verdade é muito mais ténue, deixando-nos menos preparados para lidar com um escândalo que envolva um personagem como ele. Redford nota que o jornalismo, sendo rigoroso nos factos, é uma defesa essencial da democracia. “É uma das armas mais eficazes que temos para restringir os sedentos de poder. Eu sempre disse que ‘Os homens do Presidente’ era um filme violento. Não havia tiros, mas as palavras eram usadas como armas”. Ao contrário do que então se dava por garantido, sugere o ator, hoje não podemos ter a certeza de que a verdade acabe por emergir.