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Internacional

Trump diz-se preparado para “resolver” sozinho problema da Coreia do Norte

Xi Jinping vai encontar-se com Trump na casa de férias do homólogo norte-americano

BRENDAN SMIALOWSKI

Garantia foi feita numa entrevista ao “Financial Times” a poucos dias de se encontrar com o Presidente chinês, Xi Jinping, na sua casa de férias em Mar-a-Lago, na Florida, na próxima quinta-feira

"Se a China não vai resolver a Coreia do Norte, nós vamos, é isto que eu lhe garanto." Assim garante Donald Trump numa entrevista ao "Financial Times", este domingo, na qual diz apenas acreditar "totalmente" que os Estados Unidos têm a capacidade para acabar sozinhos com a ameaça nuclear norte-coreana.

A conversa com o jornal britânico aconteceu dias antes da visita oficial do Presidente chinês Xi Jinping aos EUA, esta semana. "A China tem uma grande influência sobre a Coreia do Norte e eles [chineses] podem decidir ajudar-nos com a Coreia do Norte, ou não. Se eles o fizerem isso será bom para a China, e se não o fizerem não será bom para ninguém."

Questionado sobre se se refere a ações unilaterais dos EUA contra Pyongyang, Trump respondeu: "Não tenho de dizer mais nada. Totalmente." No resto da conversa não é avançado qualquer detalhe sobre que tipo de ações estão planeadas para pressionar a nação do norte da península coreana.

As declarações surgem a apenas quatro dias de um encontro entre Xi e Trump na casa de férias do Presidente norte-americano em Mar-a-Lago, na Florida, marcado para quinta-feira, e na sequência de uma série de avisos dos norte-americanos aos norte-coreanos por causa dos mais recentes testes de mísseis ordenados por Kim Jong-un.

Durante um périplo oficial pela Ásia no mês passado, o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson já tinha dado garantias de que uma ação militar preventiva contra a Coreia do Norte "está em cima da mesa". Um mês antes disso, tinha sido James Mattis, secretário da Defesa, a avisar que qualquer recurso a armas nucleares por Pyongyang vai gerar uma resposta "esmagadora" da parte dos EUA.

Pequim, o único aliado internacional da Coreia do Norte, tem estado a encetar uma série de ações contra a reclusiva nação por causa dos seus últimos testes de mísseis; em fevereiro, suspendeu as importações de carvão norte-coreano até ao final de 2017, na prática fechando uma das principais torneias de receita de Pyongyang. Contudo, Trump quer que a China faça mais e deverá pressionar o homólogo nesse sentido durante o encontro desta semana.

O Presidente norte-americano já deu a entender que pode usar as trocas comerciais com o gigante asiático como alavanca de pressão. Ao "Financial Times", Trump voltou a repetir essa sugestão, dizendo que "o comércio é o incentivo" e que "tem tudo a ver com comércio". Contudo, garantiu que desta vez não vai discutir a aplicação de tarifas aduaneiras sobre produtos chineses com Xi.

No final de março, o chefe do governo norte-americano tinha assinado duas ordens executivas para lidar com o défice comercial dos EUA que, entre outras coisas, preveem alterações nas atuais regras de comércio com outros países. A Casa Branca insistiu na altura que as medidas não estão dirigidas à China, apesar de ser o país a grande fonte do défice comercial dos EUA, responsável por cerca de 347 mil milhões de dólares (350 mil milhões de euros) do total de 502 mil milhões (470 mil milhões de euros) anuais.

No final do mês, Trump sublinhou no Twitter que "o encontro com a China" esta semana "vai ser muito difícil, porque já não podemos ter défices comerciais massivos". Para já, o Presidente não explicou se pretende renegociar os termos das trocas bilaterais com Pequim, enquanto pressiona o país a exercer mais influência sobre a Coreia do Norte.

Analistas consultados pela BBC sublinham que o apoio de Pequim a Pyongyang é movido pelo medo de que o colapso da Coreia do Norte conduza à unificação das Coreias, numa altura em que os EUA têm tropas e um escudo antimísseis instalados no país a sul, na fronteira terrestre com a China continental. O país liderado por Xi Jinping também teme as consequências humanas deste cenário, perante a probabilidade de o país ser inundado por milhões de refugiados norte-coreanos caso isso aconteça.