Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Governo venezuelano nega hostilidades contra portugueses

Getty

Executivo de Nicolás Maduro garante que não há “nenhuma hostilização ou propósito de hostilização dos portugueses e dos portugueses proprietários de padarias”

O governo da Venezuela garantiu às autoridades portuguesas que não há qualquer hostilidade em relação à comunidade portuguesa e, em particular, aos proprietários de padarias naquele país, disse esta segunda-feira à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

O chefe da diplomacia portuguesa revelou que o vice-ministro para a Europa se reuniu nos últimos dias com representantes da embaixada portuguesa em Caracas, a quem transmitiu que "não havia nenhuma hostilização ou propósito de hostilização dos portugueses e dos portugueses proprietários de padarias".

Recentemente, três padarias detidas por cidadãos nacionais foram ocupadas na Venezuela.

Questionado pela Lusa sobre os recentes acontecimentos políticos na Venezuela, Santos Silva comentou que Portugal lamentou "a decisão do Supremo Tribunal venezuelano, que na prática quis confiscar os poderes do parlamento", onde domina a oposição, mas considerou positivo que aquele órgão judicial tenha revogado a sua própria determinação, "que perturbaria ainda mais a delicada situação política na Venezuela".

A instabilidade política e social naquele país justificou "um nível de preocupação" que levou à intensificação do trabalho de coordenação entre vários ministérios do Governo português e do Estado, e cuja liderança foi assumida pessoalmente pelo chefe da diplomacia portuguesa.

No final da semana passada, Santos Silva participou numa reunião do Conselho das Comunidades da América do Sul e Central, na semana passada em Santos, Brasil, tendo contactado diretamente com cinco conselheiros portugueses na Venezuela.
"A situação que vive a comunidade portuguesa e o conjunto da população venezuelana é difícil. Vários dos conselheiros tinham experiências pessoais de insegurança e danos sofridos muito grandes", relatou o ministro.

O governante descreveu que encontrou, da parte dos conselheiros, "uma grande disponibilidade para liderar a comunidade, para mobilizar as associações e para trabalharem em articulação com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas", além de "muita sensatez, muito equilíbrio, muita prudência".

O Parlamento da Venezuela vai iniciar na terça-feira o processo de destituição dos magistrados da ala constitucional do Supremo Tribunal de Justiça, alegando que perpetraram um golpe de Estado.

O anúncio do Parlamento surge depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter eliminado, no sábado, algumas partes das duas polémicas sentenças nas quais assumia as competências da Assembleia Nacional e delimitava a imunidade parlamentar.
No início de 2016, o parlamento já tinha tentado a destituição de magistrados do mesmo tribunal, por considerar que foram nomeados pelo 'chavismo' - corrente política do Presidente venezuelano Nicolas Maduro, inspirada pelas ideias do falecido Presidente Hugo Chavez - de forma irregular.

A decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), favorável ao Presidente Nicolas Maduro, de assumir os poderes da Assembleia Nacional e de privar os deputados da sua imunidade, suscitou a reprovação internacional, nomeadamente da União Europeia, dos EUA e das Nações Unidas, e reações de vários quadrantes da sociedade da Venezuela.