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Internacional

Dezenas de pessoas detidas em novos protestos na Rússia

SERGEI ILNITSKY/EPA

Pelo menos 31 pessoas foram detidas este domingo “por perturbação da ordem pública” durante uma manifestação em Moscovo, segundo números do Governo russo. Organização não-governamental OVD-Info fala em pelo menos 56 pessoas detidas, incluindo quatro menores

Helena Bento

Jornalista

A polícia russa deteve este domingo 31 pessoas que se manifestavam em Moscovo, uma semana depois de milhares de pessoas terem saído à rua para protestar contra a corrupção no país, refere um comunicado do Ministério do Interior russo, citado pelos media locais e internacionais. Um número diferente foi apresentado pela organização não-governamental OVD-Info, especialista na monitorização de manifestações, que fala em pelo menos 44 pessoas detidas, incluindo sete ativistas.

O documento do Governo russo adianta que as pessoas foram detidas “por perturbação da ordem pública durante uma manifestação não autorizada na praça Triumfalnaya”, no centro de Moscovo. Terão ocorrido outros protestos em simultâneo em cidades como Novosibirsk, Samara e Astrakhan, em que participaram, no total, cerca de 1300 pessoas, não se tendo verificado quaisquer “violações da ordem pública nem detenções”, segundo o comunicado do Governo, que adianta que os protestos estenderam-se a outras cidades, embora tenham sido aí de “menor dimensão”.

A manifestação deste domingo juntou na capital russa cerca de 100 pessoas, segundo a Reuters, um número bem inferior ao dos protestos de domingo passado, em que participaram milhares de pessoas, naquela que foi considera uma das maiores manifestações dos últimos anos na Rússia. Foram então detidas 700 pessoas, segundo números avançados pela OVD-Info. O Governo apresentou números diferentes - 500 pessoas detidas, incluindo Alex Navalny, líder da oposição ao Presidente russo Vladimir Putin, que organizou o protesto e foi acusado de desobediência às autoridades, tendo sido condenado a 15 dias de prisão e a uma multa no valor de 324 euros.

O protesto de domingo passado foi convocado depois de ter sido divulgado um relatório em que Dmitri Medvedev, primeiro-ministro russo, é acusado de controlar um império imobiliário através de uma rede oculta de uma organização não-governamental. Alex Navalny publicou então no Youtube um vídeo de 50 minutos no qual descreve as táticas a que o primeiro-ministro terá recorrido e que terá sido já visto por milhões de pessoas.