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“El Chapo” queixa-se de tratamento desumano na cadeia. Amnistia Internacional quer visitá-lo

A violência entre gangues mexicanos tem vindo a aumentar desde a captura de "El Chapo", líder do cartel de Sinaloa, em 2016.

ALFREDO ESTRELLA/GETTY

O líder do cartel de Sinaloa, famoso pelas suas fugas espetaculares, encontra-se atualmente numa prisão em Manhattan

Luís M. Faria

Jornalista

Mesmo os piores criminosos têm direito a ser tratados com humanidade. É a lição que a Amnistia Internacional acaba de relembrar. Numa carta enviada às autoridades americanas, e referente ao encarceramento do cidadão mexicano Joaquin Guzman em Manhattan, Nova Iorque, a organização declara-se preocupada com o facto de que "as condições impostas parecem ser desnecessariamente duras e quebrar os padrões internacionais de tratamento humano".

Guzman, mais conhecido por "El Chapo", é uma lenda viva no mundo do narcotráfico mexicano. Durante anos foi o líder do cartel de Sinaloa, um dos maiores e mais sangrentos do país. Raptos e assassínios eram atos que ele ordenava regularmente. Além disso, notabilizou-se pelas suas fugas espetaculares. Mesmo as prisões que aparentemente eram mais seguras não tinham capacidade de o reter. Da última vez, em 2015, escapou através de um túnel que descia do duche da sua cela para um canal subterrâneo de mais de um quilómetro, no qual havia um veículo sobre carris que desembocava no exterior.

Essa última fuga, noticiada em todo o mundo, foi a gota de água para o Governo mexicano. Guzman não demorou a ser recapturado, e dessa vez o Governo fez aquilo que antes hesitara em fazer, e era o que ele mais temia: extraditou-o para os Estados Unidos. A extradição aconteceu a 19 de janeiro passado, horas antes de Donald Trump tomar posse. Guzman seguiu para o Centro Correccional Metropolitano de Manhattan, uma unidade de doze andares onde existe uma zona especial para presos de alto risco. Já antes lá estiveram mafiosos como John Gotti, ou alegados terroristas ligados a Bin Laden.

Alucinações, dores de cabeça, problemas de garganta…

Os requisitos de segurança implicam que o contacto dos presos com outras pessoas seja extremamente limitado. Raramente ou nunca podem ver a família. Os encontros com os advogados são restringidos, e mesmo com os guardas a comunicação faz-se largamente através de gestos. Guzman passa 23 horas fechado numa pequena cela sem luz natural (mas com a iluminação elétrica permanentemente ligada), saindo dela apenas durante uma hora para fazer exercício noutra cela, igualmente isolada do exterior.

A advogada oficiosa Michelle Gelernt diz que essas condições – que ela descreve como "as mais restritivas" de qualquer preso nos Estados Unidos, piores mesmo do que as da famosa prisão “supermax” no Colorado – estão a provocar uma deterioração da saúde do seu cliente. Dores de cabeça, problemas de garganta, alucinações auditivas serão apenas alguns dos efeitos. Alertada para a situação, a Amnistia Internacional requereu em tribunal que lhe fosse permitido efetuar uma visita a Guzman. Ao juiz caberá decidir.