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Sturgeon escreve a May: não há “nenhuma razão racional” para bloquear referendo escocês

LESLEY MARTIN

O Parlamento escocês aprovou esta semana uma moção – com 69 votos a favor e 59 contra –, onde pede ao Governo britânico que autorize a realização de um novo referendo à independência da região

Helena Bento

Jornalista

Não há “nenhuma razão racional” para bloquear o pedido do Governo regional para a realização de um novo referendo à independência da Escócia, escreve Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, numa carta enviada a Theresa May, em que é formalizado o pedido para um nova consulta popular.

“Escrevo para que sejam iniciadas as primeiras conversações entre os nossos governos para chegar a acordo sobre uma Ordem ao abrigo da secção 30.º da Lei da Escócia de 1998 que permita ao Parlamento escocês legislar para um referendo”, escreve Nicola Sturgeon.

O Parlamento escocês aprovou esta semana uma moção – com 69 votos a favor e 59 contra –, onde pede ao Governo britânico que autorize a realização de um novo referendo à independência da Escócia, a realizar entre outubro de 2018 e a primavera de 2019.

A primeira-ministra britânica Theresa May tem afirmado, porém, que este “não é o momento” de realizar uma nova consulta sobre esse assunto, uma vez que não seria “justo” para os eleitores escoceses terem de tomar uma decisão “tão crucial” como essa “sem a informação necessária”, disse May numa entrevista ao canal de televisão ITV.

Em 2014, 55% dos escoceses recusaram a independência num referendo, mas na consulta de junho de 2016 sobre o Brexit 62% votaram pela permanência do Reino Unido na União Europeia.

Recordando esse número, Sturgeon escreve na carta enviada a Theresa May que o Reino Unido está a ser retirado do bloco e do mercado único “contra a vontade da maioria das pessoas que vivem” na Escócia. A “decisão do Parlamento escocês deve ser respeitada”, assim como os escoceses, que têm “o direito de escolher o seu futuro, em resumo, de exercer o direito à autodeterminação”, escreve ainda Nicola Sturgeon.

A primeira-ministra escocesa espera que haja uma “discussão construtiva” entre Edimburgo e Londres. No entanto, “se isso não acontecer”, Sturgeon irá anunciar no Parlamento escocês “os próximos passos a adotar no sentido de avançar com a realização do referendo”.