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Internacional

Remover Bashar al-Assad do poder “deixou de ser uma prioridade” dos EUA

Drew Angerer

“Não podemos necessariamente focar-nos em Assad da mesma forma que a anterior administração”, diz a embaixadora de Trump na ONU

A representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas diz que remover o Presidente sírio, Bashar al-Assad, do poder já não é uma prioridade para o país. Esta quinta-feira, em declarações aos jornalistas na sede da ONU, a embaixadora Nikki Haley disse que a administração de Donald Trump "já não pode necessariamente concentrar-se em Assad da mesma forma que a anterior administração".

Garantir que Assad abandonava a presidência foi um dos grandes focos do governo de Barack Obama no âmbito da guerra da Síria, a par do apoio aos rebeldes "moderados" que o combatem desde março de 2011, quando o conflito estalou. Mas agora, sublinhou Haley, os recursos disponíveis vão ser redirecionados para o combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

"A nossa prioridade já não é ficarmos sentados e focados na saída de Assad, a nossa prioridade é analisar a fundo como é que podemos concretizar as coisas, com quem é que precisamos de trabalhar para realmente fazer a diferença para o povo da Síria", explicou a embaixadora de Trump.

Para a correspondente da BBC junto do Departamento de Estado norte-americano, Barbara Plett Usher, Haley está simplesmente a expôr sem rodeios aquilo que tem sido a política dos EUA quanto à Síria há já algum tempo. Segundo Usher, o último ano da administração Obama já tinha como prioridade primordial, ainda que não o assumisse, os combates contra o Daesh no país. Isto depois de a Rússia ter entrado em força no cenário de guerra em 2015, reforçando o poderio de Bashar al-Assad, o seu grande aliado, e reduzindo as hipóteses de o líder sírio ser removido.

Também na quinta-feira, durante uma visita oficial à Turquia, o secretário de Estado, Rex Tillerson, declarou aos jornalistas que o futuro de longo prazo de Assad "vai ser decidido pelo povo sírio".

Reagindo às declarações de Haley, o porta-voz de um dos grupos da oposição a Assad lamentou o anúncio "infeliz" e sublinhou que os representantes americanos estão a enviar "mensagens contraditórias" aos envolvidos no conflito. "Ouvimos o porta-voz da Casa Branca a contradizer o que Tillerson acabou de declarar hoje na Turquia", disse Farah al-Atassi aos jornalistas em Genebra. "Eles [no governo] dizem claramente que Assad não tem qualquer papel a desempenhar no período de transição."