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Internacional

Turquia põe fim à campanha militar no norte da Síria

BULENT KILIC

Depois de sete meses no terreno, o exército turco anunciou a conclusão de uma “operação de sucesso”. Primeiro-ministro escusou-se a confirmar se as tropas vão abandonar o país vizinho ou permanecer na fronteira. Esta quinta-feira, o Presidente Erdogan recebe o secretário de Estado de Donald Trump em Ancara

A Turquia anunciou na quarta-feira à noite que concluiu "com sucesso" a sua campanha militar de sete meses no norte da Síria, na fronteira entre os dois países, batizada Escudo Eufrates. Contudo, o primeiro-ministro turco, Binali Yildrim, não excluiu a possibilidade de novas operações militares no país vizinho e escusou-se a confirmar se as tropas vão abandonar a Síria.

A operação tinha sido lançada a 24 de agosto com o objetivo de forçar os militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) a retirarem da região fronteiriça e também de travar os avanços dos combatentes curdos que estão a combater os jiadistas no terreno com o apoio aéreo da coligação internacional anti-Daesh liderada pelos Estados Unidos. Nesse dia, tropas turcas atravessaram a fronteira com veículos blindados e com o apoio da força aérea no que Ancara classificou como uma operação para fazer o Daesh retrair para uma distância mínima de 100 quilómetros da fronteira. Dias antes, o governo turco tinha prometido que ia assumir "um papel mais ativo na Síria" nos seis meses seguintes.

"A Operação Escudo Eufrates teve sucesso e chegou ao fim", disse na quarta-feira Yildrim após um encontro com o conselho de segurança do governo turco. "Qualquer operação que possa seguir-se a esta terá um nome diferente." No âmbito da operação agora concluída, o exército e os rebeldes sírios apoiados pela Turquia conseguiram reaver o controlo de várias cidades na região, incluindo Jarablus, até chegarem à cidade estratégica de Al-Bab, mais a sul.

Apesar de não ter sido inteiramente assumido pelo executivo turco, a operação também teve como objetivo impedir mais avanços das Unidades de Proteção do Povo (YPG), milícias curdas apoiadas pelo Ocidente. Ancara teme que as vitórias dos combatentes alimentem a insurgência curda que grassa no sudeste da Turquia há várias décadas pela mão do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). A Turquia classifica as YPG como uma organização terrorista que é uma extensão do PKK.

O anúncio de que a operação militar foi concluída surgiu um dia antes de Rex Tillerson, o secretário de Estado da administração Trump, chegar a Ancara para encontros oficiais com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e outros oficiais. A visita desta quinta-feira, refere o correspondente da BBC na Turquia, acontece numa altura de crescentes desacordos entre os dois países sobre o que fazer quanto à guerra na Síria e depois de 18 meses de relações bilaterais em crise, quando os EUA estavam ao leme de Barack Obama.

Os desentendimentos prendem-se sobretudo com quem é que deve estar envolvido na operação para reconquistar Raqqa ao Daesh, o último grande bastião do grupo jiadista na Síria. A Turquia quer que a aliança liderada pelos EUA deixe de apoiar os combatentes curdos, mas Washington tem defendido sempre que as YPG são a força mais efetiva presente no terreno.

No encontro com Tillerson, Erdogan também deverá pressionar os EUA a aplicarem o seu pedido de extradição de Fethullah Gülen, o clérigo turco que vive exilado nos EUA desde 1999; Erdogan acusa o ex-aliado de estar por trás do golpe militar falhado em julho.