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Internacional

Mais de 100 pessoas morrem em centros de detenção de imigrantes da Malásia

LAI SENG SIN/REUTERS

O número diz respeito a 2015 e 2016 e é revelado por um relatório da Comissão Nacional dos Direitos Humanos do país

Miguel Rebocho Pais

Mais de 100 pessoas perderam a vida em centros de detenção para imigrantes, na Malásia. Mais de metade das 118 vítimas fugiam de perseguições no país vizinho, Myanmar (antiga Birmânia). Entre as vítimas estão muitos Rohingya, a minoria étnica que é constantemente alvo de abusos das autoridades birmanesas.

Segundo a comissão de direitos humanos que analisou estas mortes, grande parte deveram-se a doenças como a tuberculose e a pneumonia. Ainda assim, 50 mortes tiveram causas desconhecidas.

O comissário Jerald Joseph, um dos elementos da comissão malaia, descreve as condições dos centros de detenção que visitou como “chocantes”. Acrescentou ainda que estas mortes devem ser investigadas como um crime, uma vez que, explica, algumas das doenças podem ter surgido ou piorado devido a abusos físicos e falta de comida, higiene e cuidados médicos. Esta situação é confirmada por vários antigos detidos e por membros de organizações de direitos humanos.

Os números de vítimas mortais parecem ter reduzido de 2015 para 2016. No primeiro ano, houve 83 mortos confirmados e no ano passado, o número desceu para 35. Do total de 118 mortes, 80 tiveram lugar em apenas três centros de detenção, perto da capital Kuala Lumpur.

O Ministério do Interior malaio admite que existe um problema com o número excessivo de imigrantes nos centros de detenção, mas que o orçamento é magro para poder melhorar as condições de saúde naqueles locais. O ministro-adjunto do Interior, Nur Jazlan Mohamed, culpou mesmo o “fluxo interminável de pessoas que procuram um futuro melhor na Malásia”.