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Brasil: Ex-deputado Eduardo Cunha condenado a 15 anos e quatro meses de prisão efetiva

Eduardo Cunha

FERNANDO BIZERRA JR. / EPA

Juiz da Lava Jato condena “arquiteto” da destituição de Dilma Rousseff por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Sérgio Moro não permite que Cunha aguarde recurso em liberdade

Preso em Curitiba desde outubro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha ouviu esta quinta-feira a sentença pela voz dos juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, que investiga os desvios de fundos da Petrobras, a petrolífera estatal brasileira.

Sérgio Moro determinou ainda que Eduardo Cunha continue em prisão preventiva enquanto decorre o processo de recurso do ex-deputado. Uma prisão preventiva que o próprio Supremo Tribunal Federal tem chancelado ao ter já recusado três pedidos de libertação apresentados pelo ex-deputado, o último dos quais foi negado esta segunda-feira.

Considerado por muitos como o “arquiteto” da destituição de Dilma Rousseff, o ex-parlamentar do PMDB, o memos partido do atual presidente, Michel Temer, foi condenado por corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal. Neste primeiro processo que corre contra Eduardo Cunha, o juiz deu como provado o recebimento de suborno no contrato de exploração da Petrobras no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. Recorde-se que foi o facto de ter ocultado ao Parlamento a titularidade das contas na Suíça que deu origem ao seu processo de destituição da presidência da Câmara dos Deputados.

Será que vai denunciar Temer?

Para muitos analistas, a condenação de Cunha, que irá cumprir a pena em regime fechado, dá mais força aos receios de uma denúncia comprometedora de Michel Temer. Cunha ainda há pouco tempo fez em sede de outro processo perguntas algo incriminatórias em relação ao seu ex-amigo e atual Presidente.

Apesar de Moro as ter recusado incluir no processo, Cunha não se coibiu a sugerir a liegação de Temer à obtenção de fundos de forma irregular junto de diversas empreiteiras. Uma sugestão que reforça as suspeitas face ao comportamento de Temer, citado por várias vezes nas denúncias da Odebrecht.

A confirmação da sentença reforça a possibilidade de uma denúncia por parte de Eduardo Cunha que para muitos analistas poderá ser mais devastadora do que a “delação do fim do mundo” assinada por 77 executivos da construtora Odebrecht.