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Tusk: “A UE está mais determinada e unida do que antes”

EU / ETIENNE ANSOTTE / HANDOUT/ EPA

Em conferência de imprensa, o Presidente do Conselho Europeu voltou a lamentar a saída do Reino Unido da UE: “Não vale a pena fingir que hoje é um dia feliz”, disse Tusk, manifestando contudo confiança no futuro

O presidente do Conselho Europeu, já com a carta de notificação do 'Brexit' em sua posse, afirmou que "não vale a pena fingir que hoje é um dia feliz", mas observou que a UE a 27 está hoje "mais unida".

"Não vale a pena fingir que hoje é um dia feliz, nem em Bruxelas, nem em Londres. Afinal de contas, a maioria dos europeus, incluindo quase metade dos eleitores britânicos, desejavam que continuássemos juntos e que não nos separássemos. Quanto a mim, não vou fingir que estou feliz hoje. Mas, paradoxalmente, há também algo positivo no 'Brexit': o 'Brexit' tornou-nos, a comunidade dos 27, mais determinada e mais unida do que antes", declarou Donald Tusk, em Bruxelas.

Numa declaração aos jornalistas pouco depois de ter recebido das mãos do embaixador do Reino Unido junto da UE, Tim Barrow, a carta assinada pela primeira-ministra Theresa May que formaliza a ativação do artigo 50.º do Tratado de Lisboa para a concretização do processo de saída da União Europeia, Tusk surgiu na sala de imprensa do Conselho acenando a missiva e afirmando: "aqui está, seis páginas".

"Hoje posso dizer que vamos permanecer determinados e unidos também no futuro, também durante as difíceis negociações que temos pela frente. Isto significa que tanto eu como a Comissão temos um forte mandato para proteger os interesses dos 27", vincou.

Apontando que "não há nada a ganhar neste processo", e sublinhando que se refere "aos dois lados", o presidente do Conselho Europeu considerou que o processo negocial que se segue constituirá, no fundo, um "controlo de danos".

"O nosso objetivo é claro: minimizar os custos, para os cidadãos, empresas e Estados-membros da UE. Faremos tudo ao nosso alcance e temos os instrumentos necessários para atingir este objetivo", disse.

Tusk sublinhou ainda que é preciso notar que, mesmo com a entrega formal da notificação do artigo 50.º, ainda "nada mudou", pois, "até que o Reino Unido saia da União Europeia, a legislação comunitária continua a ser aplicada para e dentro do Reino Unido".

O presidente do Conselho confirmou que já na próxima sexta-feira irá partilhar com os Estados-membros a proposta de diretrizes para as negociações com Londres, que os 27 deverão adotar na cimeira agendada para 29 de abril próximo.
No final da sua declaração à imprensa, Tusk encolheu os ombros e rematou: "O que posso mais dizer? Já temos saudades vossas...".

O Reino Unido entregou esta quarta-feiar em Bruxelas a carta que aciona a saída do Reino Unido da UE, ditada pelo referendo de junho de 2016.

O designado 'Brexit' - que representa a primeira saída de um Estado-membro na história do projeto europeu, iniciado há 60 anos - decorre do resultado do referendo de 23 de junho de 2016, quando 52% dos eleitores votaram pela saída do país da UE, derrotando os 48% que preferiam a permanência.

O dispositivo previsto no tratado europeu determina que as duas partes têm a partir de agora dois anos para chegar a um acordo sobre os termos da separação, que terá implicações políticas, jurídicas, económicas e financeiras.