Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Malária mata 4000 no Burundi

NABILA EL HADAD/ Getty Images

Como é habitual nos casos desse tipo, a crise tem várias dimensões, incluindo politicas

Luís M. Faria

Jornalista

Cerca de quatro mil pessoas morreram de malária no Burundi desde o ano passado. Os números são assustadores, e mostram que a extensão da doença no país ultrapassou substancialmente o limite a partir do qual é declarada uma epidemia (quando os casos ultrapassam em mais do dobro a média dos cinco anos anteriores). Só nos primeiros três meses de 2017, terão morrido mais de 800 pessoas.

Mais de 90 por cento dos casos de malária acontecem na África subsaariana, onde se situa o Burundi. A ministra da Saúde, Josiane Nijimbere, foi clara: “Com base numa investigação efetuada por especialistas da OMS, o ministério confirma que o Burundi enfrenta uma epidemia de malária”. Entre as categorias demográficas especialmente vulneráveis, ela destacou as mulheres grávidas e as crianças com menos de cinco anos.

O Burundi tem cerca de 11 milhões de habitantes, dos quais mais de três quartos terão a doença. Apesar do seu potencial fatal, a malária não é difícil de prevenir desde que se cumpram algumas medidas preventivas, nomeadamente a utilização de redes antimosquitos. Os efeitos do aquecimento global e o incremento da cultura de arroz às elevadas altitudes, somados à redução dos orçamentos para a saúde e ao próprio facto de as populações se descuidarem - as redes preventivas são muitas vezes usadas para outros fins - levaram à atual situação dramática.

Como noutros países, o flagelo da malária anda associado ao da fome. Uns três milhões de pessoas requerem ajuda alimentar. Para Nijjimbere, a coincidência dos dois problemas. Não é necessariamente um acaso. “Quando a pessoa não comeu o suficiente, o seu corpo fica mais fraco e não resiste a atacantes exteriores, portanto pode haver ligação”.

O governo diz que está a lidar com a crise, enviando pessoal de saúde para as zonas mais afetadas. A OMS também terá reforçado o seu apoio, financeiro e não só. Mas a crise tem outras dimensões que a agravam. Desde que o presidente do país resolveu candidatar-se a um terceiro mandato em 2015 - uma decisão aparentemente inconstitucional - quase 400 mil pessoas fugiram do país para escapar à violência que já matou centenas. E os índices de fome subiram.