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Internacional

Juncker admite Europa a várias velocidades

DARRIN ZAMMIT LUPI/REUTERS

Embora frisando que essa não é a sua opção, o presidente da Comissão Europeia admite que haja um grupo de Estados-membros que tome a dianteira no projeto europeu

Questionado esta quarta-feira à tarde em Malta sobre a possibilidade de um futuro com uma União Europeia (UE) a várias velocidades, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker respondeu:

“As pessoas acham que eu favor dessa opção, não sou. Mas é uma opção que tem de ser escrutinada. Queremos que todos os 27 se movam juntos. Mas se isto não foi possível, se houver um grupo que queira a integração total, os outros podem juntar-se mais tarde”.

Falando numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro ministro de Malta Joseph Muscat e o comissário europeu Karmenu Vella, Jucker disse que este é “um dia triste para a Europa, porque os britânicos decidiram sair da UE. E é uma decisão de que virão a arrepender-se”.

A sua presença em Malta insere-se na sua participação no congresso do Partido Popular Europeu “A Europa assegura o nosso futuro”. que decorre até quinta-feira.

O presidente da Comissão Europeia disse que, apesar de não gostar de populistas eurocéticos, o caminho não será culpá-los, “nem dizer que são fascistas”, mas antes “levar a sério o seu criticismo”: “não os culpar, debater com eles, explicar-lhes o que é a UE”.

Juncker reconheceu que a UE está a “perder influência política e poder” e considerou que os políticos da sua geração tem a missão de lembrar aos mais jovens o trágico passado sobre o qual o projeto europeu foi erguido e de tratar do seu futuro.

Respondendo a uma questão relativa à atual ameaça do terrorismo, afirmou que a UE “tem um conceito” que passa por ser uma “garantia de paz”, ressalvando contudo que “não somos uma garantia contra o terrorismo” e admitindo que “será algo que vai estar cá durante muito tempo”. Juncker recordou contudo que tal também já acontecera nos anos 1970 e 1980 e que, “ainda que tal não sirva de consolação”, na altura o número de vítimas era superior. Frisando não ter nenhuma fórmula mágica para revolver o problema, considerou que o caminho passará pela partilha de informações.

“Devemos considera que a Europa é o melhor sítio do mundo para se viver, temos de tratar do nosso continente e daqueles ao nosso lado”, concluiu.