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Internacional

Dois investigadores da ONU assassinados na República Democrática do Congo

AFP

Em comunicado, António Guterres diz que “as Nações Unidas vão fazer todos os possíveis para garantir que é feita justiça” após as autoridades locais terem descoberto os corpos de um norte-americano e de uma sueca que tinham sido raptados há duas semanas na região de Kasai

Dois especialistas da ONU que tinham desaparecido na República Democrática do Congo foram encontrados mortos na região de Kasai a par do seu intérpetre, anunciou esta quarta-feira um porta-voz do governo nacional. Os corpos do norte-americano Michael Sharp, da sueca Zaida Catalan e do congolês Betu Tshintela foram descobertos duas semanas depois de terem sido raptados enquanto investigavam alegados abusos cometidos por um grupo rebelde armado que atua na região, a mesma onde 40 agentes da polícia foram encontrados decapitados no passado fim-de-semana.

À BBC, Lambert Mende, porta-voz do governo da RDC, confirmou a morte dos dois investigadores, dizendo que os seus corpos foram encontrados numa vala comum. "A mulher foi decapitada mas o corpo do homem estava intacto", disse Mende. Em comunicado, o gabinete do secretário-geral da ONU sublinhou que Sharp e Catalan "perderam as vidas ao tentarem entender as causas do conflito e da insegurança" na República Democrática do Congo. "As Nações Unidas vão fazer todos os possíveis para garantir que é feita justiça", acrescentou o porta-voz de António Guterres.

Antes de confirmar a identidade dos mortos, Mende tinha anunciado que as autoridades da região de Kasai tinham encontrado dois corpos "do tipo caucasiano ou europeu" na estrada que liga Bukonde a Tshimbulu. "Tanto quanto sei, nenhum outro indivídui branco desapareceu aqui", acrescentou na altura o representante governamental. Aos jornalistas, Mende acrescentaria depois que o comissário da polícia de Kasai confirmou as suas identidades. "De acordo com uma testemunha, eles foram alvo de uma emboscada pela famosa milícia tradicionalista Kamwina Nsapu, que decapitou as vítimas."

Sharp e Catalan tinham sido levados juntamente com quatro congoleses que estavam a prestar-lhes apoio no terreno para uma floresta perto da aldeia de Ngombe pelo grupo rebelde, um dos vários que as forças governamentais têm estado a combater na área. O surto de violência em Kasai surgiu após a morte de Kamwina Nsapu, líder da milícia que está investida em depôr o Presidente Joseph Kabila.

Antes de Mende confirmar a identidade dos mortos, John Sharp, pai do norte-americano morto, deu a entender que não tinha esperanças de que o seu filho fosse encontrado com vida. "Esta é uma mensagem que eu esperava nunca ter de escrever", disse no Facebook. "Registos dentários e amostras de ADN serão usadas para confirmar as identidades [das vítimas]. Não tenho palavras."