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Internacional

Soldado que matou afroamericano acusado de “homicídio como ato de terrorismo”

Timothy Caughman, aqui numa selfie que tirou no dia das eleições presidenciais enquanto esperava para votar

Timothy Caughman

James Harris Jackson, de 28 anos, assumiu que matou Timothy Caughman com uma espada em Manhattan

Um norte-americano branco, James Harris Jackson, foi formalmente acusado de homicídio como ato terrorista por um tribunal de Nova Iorque, após ter admitido que viajou até Mahnattan na semana passada com o intuito de matar um homem negro. O soldado de 28 anos já tinha sido acusado de homicídio como crime de ódio depois de, a 20 de março, ter encontrado Timothy Caughman, 66 anos, numa rua de Manhattan, apunhalando-o com uma espada. Quando foi detido nesse dia, Jackson terá admitido à polícia que alimentava há muito sentimentos de ódio contra negros e que o homicídio de Caughman foi um "treino prático".

Esta segunda-feira, depois da sua primeira audiência judicial, o procurador distrital de Manhattan Cyrus Vance disse que o ex-soldado "fez rondas pelas ruas de Nova Iorque durante três dias à procura de uma pessoa negra para assassinar, com o intuito de lançar uma campanha terrorista contra a nossa comunidade de Manhattan e contra os valores que celebramos". "Na semana passada" e "com total presença de espírito", adiantou Vance em comunicado, Jackson "atuou sobre esses planos, selecionando de forma aleatória um nova-iorquino bem amado apenas com base na cor da sua pele e esfaqueando-o repetidamente em público, num beco de uma rua de Midtown".

Quando foi detido, Jackson disse aos agentes da polícia que viajou da sua cidade-natal de Baltimore até Nova Iorque para matar negros; foi ali que se cruzou com Caughman, esfaqueando-o no peito e nas costas com uma espada que trouxe consigo. A vítima morreu já no hospital. O suspeito acabaria por entregar-se numa esquadra da polícia em Times Square.

Jakson serviu no Exército norte-americano entre março de 2009 e agosto de 2012 e, de acordo com fonte militar, trabalhou como analista de sistemas de informação naquele ramo das forças armadas. Entre 2010 e 2011 esteve destacado no Afeganistão.

Os amigos de Caughman descrevem um homem bondoso e um bom vizinho. "Tim Caughman não merecia morrer desta forma, ninguém merece", disse à Associated Press Portia Clark, amiga da vítima. "Somos negros, brancos, amarelos, castanhos... isto é ridículo. Estamos todos a tentar darmo-nos bem."