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Internacional

Democratas exigem que Nunes se retire da investigação Trump-Rússia

Sem informar previamente os colegas, Nunes convocou uma conferência de imprensa para alegar que Obama ordenou escutas à equipa de Trump durante a transição para a Casa Branca

Chip Somodevilla

Legislador lusodescendente do Partido Republicano é acusado de tentar interferir no inquérito em curso para proteger a administração de Donald Trump

O representante democrata Adam Schiff, que codirige a comissão de serviços de informação da Câmara dos Representantes norte-americana, e outros legisladores democratas exigiram esta segunda-feira que Devin Nunes, o diretor dessa comissão, se retire da investigação em curso no Congresso às alegadas ligações entre membros da campanha de Donald Trump e o governo russo.

A exigência surgiu depois de uma semana de revelações explosivas sobre o republicano lusodescendente, que trabalhou na equipa de transição do Presidente eleito e que mantém relações próximas com o governo de Donald Trump. Esta segunda-feira, foi revelado que Nunes se encontrou com uma fonte anónima nos jardins da Casa Branca para receber informações confidenciais sobre alegadas escutas ao Presidente Trump e à sua equipa nos últimos meses da administração de Barack Obama. No dia seguinte, o diretor da comissão de serviços de informação convocou uma conferência de imprensa para revelar, para já sem provas, que Trump e os que lhe são mais próximos foram alvos de escutas ordenadas pelo antecessor. As críticas que angariou levaram-no a pedir desculpa aos colegas da comissão, mas perante as novas revelações estes exigem que Nunes siga o exemplo de Jeff Sessions.

Em comunicado, Schiff explicou segunda-feira que, "após profunda consideração", concluiu que Nunes deve retirar-se da investigação em curso no Congresso aos potenciais contactos ilegais entre a equipa de Trump e pessoas próximas do governo de Vladimir Putin. "Da mesma forma que o procurador-geral [Jeff Sessions, correspondente ao ministro da Justiça] se forçou a retirar-se da investigação à Rússia por não ter informado o Senado dos seus encontros com oficiais russos, acredito que o público não pode ter a confiança necessária de que questões a envolver a campanha ou a equipa de transição do Presidente podem ser objetivamente investigadas pelo diretor [Nunes]", declarou o legislador democrata no Twitter.

Num comunicado noticiado pela CNN, o porta-voz de Nunes, Jack Langer, garantiu na segunda-feira que o lusodescendente só se encontrou com a fonte anónima nos jardins da Casa Branca. para analisar os documentos sensíveis. porque queria que esse encontro se desse num "local seguro".

No mesmo canal, em entrevista a Wolf Blitzer, Nunes insistiu que não houve nada de "clandestino" ou ilegal no encontro em questão e voltou a sublinhar que os documentos analisados "não têm nada a ver com a Rússia". A revelação do encontro secreto dentro do perímetro da Casa Branca, contudo, vem adensar a especulação de que o republicano se coordenou com a equipa de Donald Trump antes de vir a público alegar que o governo de Barack Obama ordenou escutas à atual administração antes da tomada de posse.