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Internacional

Rebeldes sírios recapturam base militar perto de Raqqa sob controlo do Daesh desde 2014

DELIL SOULEIMAN

É a primeira grande vitória das forças apoiadas pela coligação internacional na luta pela capital de facto do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria

Os rebeldes curdos sírios apoiados pelos Estados Unidos e a restante coligação anti-Daesh anunciaram esta segunda-feira a recaptura de uma base militar estratégica perto de Raqqa, a capital de facto do autoproclamado Estado Islâmico na Síria. Esta manhã, Talal Sello, porta-voz das Forças Democráticas da Síria (SDF, na sigla inglesa), confirmou que o grupo rebelde já detém o controlo do aeroporto militar de Tabqa, que estava sob domínio do Daesh desde 2014, naquela que é a primeira grande vitória das forças apoiadas pela coligação internacional na luta pela reconquista da cidade, o derradeiro bastião dos jiadistas no país.

Os rebeldes curdos estão agora a avançar em direção ao centro da cidade, com grupos de Direitos Humanos a alertarem para os riscos de segurança que a população civil enfrenta; isto depois de ataques aéreos das forças norte-americanas terem provocado pelo menos 89 mortos na semana passada, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos. O aeroporto militar de Tabqa foi capturado por militantes do Daesh às forças sírias leais a Bashar al-Assad em 2014, altura em que o grupo levou a cabo execuções em massa de soldados capturados.

A reconquista da base está integrada numa ofensiva que tem também como objetivo reaver o controlo da barragem de Tabqa, a maior da Síria. Antes do anúncio de Sello, havia informações de que as populações ao redor da barragem estavam em perigo por causa de danos na estrutura que, segundo o Daesh, foram provocados por bombardeamentos da coligação. Contudo, avança a BBC, a barragem parece estar intacta. "Não é do nosso conhecimento que a barragem tenha ficado estruturalmente danificada", disse uma fonte da coligação ao canal britânico. "Queremos preservar a integridade da barragem como recurso vital do povo sírio."

Esta segunda-feira tinha havido notícias contraditórias sobre o estado da barragem, que fica situada a cerca de 40 quilómetros de Raqqa, no rio Eufrates, levando parte dos civis ali encurralados a fugirem para as partes mais elevadas. Apesar de o Daesh ter avisado que a barragem estava prestes a rebentar, o grupo jiadista acabaria por enviar carros com altifalantes para Raqqa para dizer às pessoas que a estrutura está intacta e que não há necessidade de evacuar a cidade.

Para além de garantir o fornecimento de eletricidade na região, as forças da coligação suspeitam que a barragem está a ser usada como sede do Daesh a partir de onde as chefias do grupo planeiam ataques a serem executados fora da Síria, de acordo com uma fonte do Pentágono. Recentemente, as Nações Unidas já tinham avisado que danos na estrutura podem levar a cheias em larga escala — uma preocupação que também ensombrou a operação de retomada de Mossul, o último bastião do Daesh no Iraque. Se essa barragem rebentar, alertam engenheiros e a embaixada dos Estados Unidos no Iraque, as águas do Tigre podem matar 1,47 milhões de iraquianos que vivem ao longo daquele rio. Até agora, a barragem de Mossul continua em funcionamento.