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Pressa em marcar eleições, atraso nos candidatos

JOÃO RELVAS / Lusa

Primeiro-ministro vai ouvir partidos para marcar as autárquicas. Desde 2005 que a data só é marcada em junho. Pressão à direita?

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

António Costa vai começar a ouvir esta segunda-feira os partidos com assento parlamentar para decidir qual a data de realização das eleições autárquicas, sendo que o mais provável seja o dia 1 de outubro. O anúncio foi feito na passada quinta-feira, horas antes de o Conselho Nacional dos sociais-democratas ter formalizado a escolha dos seus principais candidatos autárquicos. E há nas hostes socialistas quem não veja nesta sequência de eventos apenas uma mera coincidência, mas também uma forma de o primeiro-ministro, através de um mero ato formal, colocar as autárquicas ainda mais na agenda política. E dessa forma explorar as divergências que PSD e CDS têm apresentado na gestão conjunta deste dossiê, como foi o caso de Lisboa e Porto.

Na base destes raciocínios está a constatação de que é a primeira vez desde 2005 que os partidos são ouvidos por um primeiro-ministro antes de junho para a marcação das autárquicas. Em 2013, por exemplo, o Governo de Passos Coelho só marcou a data a 13 de junho. Acresce que, com exceção de Assunção Cristas – que há duas semanas pediu que as eleições fossem marcadas o quanto antes, para evitar “simpatias excessivas” do Governo com autarquias socialistas no período pré-eleitoral –, mais nenhum líder partidário se manifestou sobre o assunto.

Aliás, ao contrário de PSD e CDS, os socialistas não têm revelado grande pressa em fechar a escolha dos seus candidatos autárquicos. A convenção que o PS tinha anunciado para dezembro de 2016 foi inicialmente adiada para março deste ano e em seguida marcada para abril. E depois de ter conseguido resolver ‘crises’ em algumas concelhias – que se opuseram ao princípio estabelecido pela direção no sentido da recandidatura de todos os presidentes de Câmara que ainda não estejam a cumprir um terceiro mandato –, há ainda vários dossiês por concluir no partido, como nos distritos de Braga ou Aveiro. E até em Lisboa, onde Fernando Medina é o mais do que provável candidato, o PS prefere o silêncio

Artigo publicado na edição do Expresso de 25/03/2017