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Vai ser leiloado o diário em que John F. Kennedy revela admiração por Hitler

AFP/GETTY

“Havia algo de misterioso no modo como viveu e morreu que lhe sobreviverá e continuará a florescer. Era feito da matéria das lendas”, escreve JFK sobre Hitler. A atual proprietária do diário foi sua assistente quando ele era senador pelo Massachussetts.

Luís M. Faria

Jornalista

Excertos de diário mantido pelo futuro presidente norte-americano John F. Kennedy na sua juventude, e que agora vai ser leiloado em Boston, revelam admiração por Adolf Hitler. Em 1945, após a morte do Führer, Kennedy visitou o seu retiro nas montanhas e escreveu: “Quem quer que tenha visitado estes lugares pode imaginar como daqui a alguns anos Hitler emergirá do ódio que agora o rodeia e acabará por ser visto como uma das figuras mais significativas que jamais viveram. Havia algo de misterioso no modo como viveu e morreu que lhe sobreviverá e continuará a florescer. Era feito da matéria das lendas”.

Não é a primeira vez que estas frases são referidas em público. Em 2013, um livro intitulado John F. Kennedy entre os alemães, já as tinha mostrar a simpatia dele pelas teorias nazis da raça superior. Além do diário, essas ideias também surgem em cartas enviadas pelo então estudante – e depois correspondente de jornais – a amigos nos EUA.

Durante uma viagem pelo Reno, por exemplo, Kennedy escreveu: “Muito belo, porque há muitos castelos pelo caminho. As cidades são todas charmosas o que mostra que as raças nórdicas parecem ser definitivamente superiores aos seus equivalentes latinos. Os alemães são de facto demasiado bons – é por isso que as pessoas conspiram contra eles – eles fazem-no para se protegerem”. E noutra passagem do diário, foi ainda mais explícito: “Cheguei à conclusão de que o fascismo é correcto para a Alemanha e a Itália. O que são os males do fascismo comparados com o comunismo?”.

O diário é actualmente propriedade de uma mulher que foi assistente de Kennedy durante os seus tempos de senador. Ele ter-lho-á oferecido para que ela ficasse a conhecer os seus pontos de vista sobre assuntos internacionais. A ex-assistente nega que ele tivesse qualquer simpatia pelos crimes do nazismo. Kennedy reconhece que Hitler “tinha uma ambição ilimitada para o seu país, o que o tornou uma ameaça para a paz do mundo”. Mas o tom de admiração com que escreve sobre o homem que ordenou o Holocausto é difícil de negar. E faz pensar no seu pai, o empresário Joseph Kennedy, que foi embaixador no Reino Unido até 1940 e caiu em desgraça por defender a conciliação com Hitler. Quando estava à frente da embaixada, JFK trabalhou lá.