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Trump desiste, por agora, do novo plano de saúde que ia substituir o Obamacare

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Presidente dos EUA foi obrigado a retirar a nova lei do Congresso porque lhe terão faltado apenas 10 votos para ela ser aprovada. Obamacare mantém-se, mas Trump diz que “vai explodir”

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O Presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu retirar do Congresso o novo plano de saúde que visa substituir o Obamacare e que ia a votos esta sexta-feira à tarde (hora dos EUA). “Acabámos de a retirar", disse Trump ao The Washington Post, numa entrevista telefónica.

Segundo avança a Reuters, a decisão foi comunicada por Trump ao Senado, depois de o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano Paul Ryan, o ter avisado que continuava a não ter votos suficientes para a nova lei passar. Já na quinta-feira, na data em que estava prevista a primeira votação, Trump foi informado que não reunia os votos suficientes.

Em causa, está uma pequena facção de republicanos - o suficiente para chumbar o decreto - que não concorda com algumas das alineas desta nova lei e exigiu que fossem feitas algumas alterações à chamada Lei de Cuidados de Saúde Americana, entretanto batizada de "Trumpcare" pelos media e pelos democratas.

Para esta facção, um grupo de legisladores ultra-conservadores chamado de Freedom Caucus (Caucus da Liberdade), a nova lei deve ter menos regulação e deve permitir que os cidadãos possam escolher que tipo de cuidados médicos que estão cobertos pelos planos de saúde pessoais.

Além disso, uma outra facção dos republicanos, que também está contra, não concordavam como facto do Trump Care deixar de cobrir serviços essenciais como as urgências e os cuidados na gravidez.

"Só há duas formas de votar nesta lei. Uma é não saber o que está lá escrito e a outra é ter um coração de pedra. Porque esta lei é vergonhosa", disse um dos congressistas republicanos, Jim McGovern, citado pela ABC News.

Mas na quinta-feira Trump disse que não ia fazer quaisquer alterações e exigiu que os republicanos mudassem de ideias e que a lei teria de ser mesmo votada na sexta-feira. Contudo, não teve sucesso.

A substituição do Obamacare, o programa de saúde do anterior presidente Barack Obama que garantiu um seguro a cerca de 20 milhões de norte-americanos que até então não tinham acesso aos cuidados mais básicos, foi uma das grandes promessas de Trump durante e após a campanha eleitoral.

Mas com os acontecimentos desta sexta-feira, isto significa que o Obamacare vai continuar em vigor. Mas o Presidente dos EUA não desiste para já. "O Obamacare está a implodir e não falta muito para explodir e quando acontecer não vai ser bonito", disse Trump numa conferência de imprensa.

Já Paul Ryan disse, numa outra conferência de impresa marcada de urgência após a retirada da proposta, que o Governo está "motivado para melhorar e cumprir o prometido". "Temos de fazer melhor e vamos fazer melhor", disse, acrescentando ainda: "Isto foi um contratempo, disso não há dúvida".

Segundo avançam os media norte-americanos esta é a primeira grande derrota de Trump no Congresso, principalmente tendo em conta que foi maioritariamente provocada por republicanos. Ainda assim, Trump atribuiu o falhanço aos democratas, já que todos os democratas no Congresso estão contra a nova lei.

O Congresso norte-americano tem 430 congressistas, sendo que 237 são republicanos e 193 são democratas, e para aprovar uma lei são precisos 2015 votos a favor. Os democratas disseram logo que iam votar contra, mas mesmo sem eles, a proposta passaria se todos os republicanos votassem, ou pelo menos, se votassem 215. Segundo a ABC News, pelo menos 32 republicanos disseram que estavam contra a nova lei, ou seja, apenas 205 iam votar a favor. Contas feitas, Trump não terá conseguido aprovar a nova proposta para a saúde por apenas 10 votos.