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“O sofrimento invisível na Europa”. Mais de 200 migrantes terão morrido afogados ao largo da Líbia

STR

Proactiva Open Arms, uma organização sem fins lucrativos catalã que presta apoio aos refugiados, recuperou cinco corpos a boiar perto de dois barcos à deriva, cada um com capacidade para transportar mais de 100 pessoas

Mais de 200 requerentes de asilo terão morrido afogados ao largo da costa da Líbia, anunciou esta sexta-feira a ONG catalã Proactiva Open Arms, depois de ter recuperado cinco corpos a boiar perto de dois barcos virados no Mediterrâneo, cada um com capacidade para transportar mais de 100 pessoas.

A informação foi avançada por Laura Lanuza, representante da organização sem fins lucrativos, e confirmada pela guarda costeira italiana, que coordena as operações de resgate e patrulhamento naquela zona marítima. Um porta-voz das autoridades italianas disse, contudo, à BBC que ainda não é possível confirmar o balanço provisório de mortos avançado pela Proactiva, sublinhando que não foi recebido qualquer pedido de ajuda dos que seguiriam a bordo das duas embarcações.

Lanuza, pelo contrário, diz que pelo menos 240 migrantes terão morrido durante a travessia em barcos operados por traficantes, que normalmente sobrelotam os barcos. "Recuperámos cinco corpos sem vida do mar", anunciou a Proactiva na sua página de Facebook. "É uma dura lembrança do sofrimento que há aqui e que é invisível na Europa."

O número de pessoas que tentam alcançar o território europeu vindas da Líbia tem estado a aumentar exponencialmente desde o início de 2017, depois de a rota marítima que liga a Turquia à Grécia ter sido efetivamente encerrada graças a um controverso acordo alcançado pela UE com os turcos há um ano — um que "só veio prolongar e exacerbar o sofrimento humano" daqueles que buscam a ajuda da Europa fugidos de guerras e perseguição no Médio Oriente e no continente africano, acusam várias organizações de Direitos Humanos.

Só nos últimos dias, aponta a Guarda Costeira italiana, houve mais de 40 operações de resgate e salvamento na rota do Mediterrâneo central, mais perigosa que a rota oriental que liga o território turco às ilhas gregas e que foi a mais usada pelos refugiados entre 2013 e 2015. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que mais de 200 mil migrantes já chegaram a Itália desde o início deste ano, com pelo menos 559 pessoas a perderem a vida ou a desaparecerem em rota para a UE. Isto em comparação com as 19 mil chegadas a Itália e as cerca de 350 mortes registadas nos primeiros três meses do ano passado.

"Ainda nem chegámos ao fim de março e já estamos a assistir a um aumento das chegadas que já excedeu qualquer cenário anterior no Mediterrâneo", alertou o porta-voz da OIM, Joel Millman, no início da semana. "Isto é típico na primavera, mas não é típico ter números tão altos tão cedo [no ano]", de chegadas como "o número correspondente de mortos".