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Internacional

Ferry da morte volta à tona

YONHAP / Reuters

A 16 de abril de 2014, na Coreia do Sul, um ferry com 304 passageiros a bordo afundou-se, matando todos os seus passageiros, muitos deles estudantes. Três anos depois, o Sewol está de regresso à superfície

O corpo de Huh Hong-Hwan, de 16 anos, foi um dos nove que nunca apareceu. Naquele dia fatídico de 16 de abril de 2014, 304 sul-coreanos perderam a vida, ao largo da ilha de Jindo. A maioria eram estudantes de liceu, que seguiam numa visita de estudo.

Para os pais das vítimas cujos corpos não foram recuperados, ver o Sewol, um ferry de 6800 toneladas regressar à tona, é um gatilho para um cocktail de emoções fortes, em que a dor é talvez a dominante. Mas mescla-se com a esperança, por um lado, de encontrar os restos mortais dos ainda desaparecidos, e de assim colocar um termo físico ao processo do luto. Alívio é a expectativa que pende de toda esta operação de resgate, que só agora se concretiza. É aliás muito por causa dos familiares das vítimas, que este resgate acontece.

O acidente que levou o Sewol a afundar-se, há três anos, nunca ficou completamente esclarecido. Na altura, a culpa foi atribuída ao excesso de carga, a várias remodelações ilegais, e à inexperiência da tripulação ao comando do ferry. O comandante, um dos sobreviventes, foi condenado a 36 anos de prisão. Agora, um comité de investigação será formado para, juntamente com a carcaça do ferry, procurar causas que expliquem a submersão do Sewol.

Contudo, a operação de resgate do navio não tem sido fácil. O peso do ferry e o içar da embarcação, até poder ser totalmente colocado em cima de um semissubmersível de carga pesada que o carregará até ao porto, tem encontrado vários precalços. A operação deverá demorar ainda duas semanas. Um tempo curto se tivermos em conta os três anos em que a embarcação repousou no fundo do mar.