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Internacional

Equipa de Trump terá dado luz verde aos russos para publicarem material contra Hillary Clinton

Paul Manafort foi diretor da campanha de Donald Trump até agosto

Win McNamee

CNN avança que FBI recolheu informação sobre esforços coordenados entre a equipa do candidato republicano e elementos do governo de Vladimir Putin para influenciar o resultado das presidenciais nos Estados Unidos

O FBI recolheu informações que indicam que pessoas associadas ao Presidente Donald Trump mantiveram contactos com alegados agentes russos para coordenar a publicação de material prejudicial para a campanha democrata de Hillary Clinton. A notícia está a ser avançada pela CNN com base em informações de fontes oficiais. O canal aponta que era em parte a isto que o diretor do FBI James Comey se referia quando, na passada segunda-feira, confirmou ao Congresso que está em curso uma investigação das agências federais às alegadas ligações de membros da campanha de Trump à Rússia de Vladimir Putin.

De acordo com as fontes, o FBI está agora a rever estas informações, que incluem dados recolhidos por agentes no terreno, registos telefónicos e de viagens e testemunhos sobre encontros ao vivo. A informação compilada aumenta as suspeitas de que poderá ter havido coordenação de esforços entre a campanha presidencial republicana e Moscovo, embora as fontes citadas alertem que os dados ainda não são conclusivos e que a investigação continua em curso.

Na segunda-feira, na antecipada audiência de Comey e do diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Mike Rogers perante a Comissão de Serviços de Informação da Câmara dos Representantes, o chefe do FBI confirmou, pela primeira vez, que as autoridades federais estão a analisar as potenciais ligações entre membros da campanha de Trump e alegados operativos russos, após a agência ter recolhido "alegações credíveis de transgressões ou pelo menos um indício razoável de que um americano pode ter atuado como agente de uma potência estrangeira".

Contactados pela CNN, os gabinetes de comunicação do FBI e da Casa Branca recusaram-se a comentar as suspeitas. Sean Spicer, porta-voz da administração Trump, tinha garantido na segunda-feira, logo após as declarações de Comey, que não existem quaisquer provas de conluio entre a equipa do Presidente e a Rússia. "Investigar isso ou haver provas são duas coisas muito diferentes", disse aos jornalistas na Casa Branca.

Uma das fontes ouvidas pela CNN diz que a informação em mãos sugere que "pessoas ligadas à campanha [republicana] estiveram em contacto e parecem ter dado luz verde à divulgação de informações" prejudiciais para Hillary Clinton. Outras fontes dizem ser prematuro concluir que houve interferência no processo eleitoral a partir da informação já recolhida, para já maioritariamente circunstancial. Por ora, dizem, o FBI ainda não consegue provar que houve conluio mas essa é agora a premissa central da investigação.

A agência federal liderada por Comey já está a investigar quatro pessoas que integraram a campanha de Trump, entre elas Michael Flynn, que foi forçado a demitir-se do cargo de conselheiro de Segurança Nacional por causa de contactos telefónicos com o embaixador russo em Washington, e Paul Manafort, o homem que dirigiu a campanha republicana até agosto, quando foi substituído por Steve Bannon. Os quatro suspeitos garantem que não mantiveram contactos impróprios com elementos russos e, para já, a CNN ainda não confirmou que qualquer deles seja citado nas mais recentes informações recolhidas pelo FBI.

No rescaldo das mais recentes acusações a Manafort, entre elas ter alegadamente aceitado "milhões para beneficiar o governo Putin", vários membros da administração Trump tentaram distanciar-se dele; há dois dias, Spicer disse aos jornalistas que o diretor da campanha desempenhou um "papel limitado" na candidatura de Trump à Casa Branca.

As mesmas fontes dizem que, por causa do foco mediático nas alegadas ligações Trump-Rússia, a agência federal está a enfrentar obstáculos à investigação como o facto de alguns agentes russos terem alterado os seus métodos de comunicação, o que dificulta a monitorização desses elementos.

Há vários meses que existem "fortes suspeitas" de que as agências de espionagem russas começaram a orquestrar uma campanha contra Clinton em julho, uma estratégia que passou pela divulgação de emails privados roubados de um servidor da Comissão Nacional Democrata e das contas de membros da campanha do partido, e também pela publicação de "notícias falsas" com o objetivo de minar a candidatura da ex-secretária de Estado.

Os investigadores do FBI dizem estar menos focados na coordenação e publicação dessas "notícias falsas", em parte porque estão protegidas pela cláusula constitucional de liberdade de expressão. A publicação dos emails, pelo contrário, já deixou de ser uma mera investigação aos ciberataques para se transformar num caso de proporções maiores que está a ser gerido pela divisão de contrainteligência do FBI. A CNN sublinha que os inquéritos sob esse pelouro costumam demorar muito tempo a estar concluídos e muitas vezes envolvem alguns dos programas mais confidenciais do governo federal norte-americano, o que pode dificultar acusações formais para proteger o caráter secreto desses programas.

Adam Schiff, o democrata que codirige a Comissão de Serviços de Informação da Câmara dos Representantes, garantiu esta quarta-feira que já existem "mais do que provas circunstanciais" sobre o alegado conluio entre a equipa de Trump e o governo de Putin. "Posso dizer-lhe que este caso vai para lá disso", disse Schiff ao jornalista Chuck Todd no programa "Meet the Press". "Não posso avançar detalhes mas há mais do que provas circunstanciais neste momento."

Questionado por Todd sobre se viu essas provas de conluio, Schiff voltou a dizer que não pode "entrar em pormenores". "Mas posso dizer que as provas não são circunstanciais e que são muito valiosas para esta investigação", sublinhou, sugerindo que o caso pode levar a "acusações históricas".