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Internacional

O que já se sabe sobre o “sórdido e doentio” ataque à capital britânica

TOBY MELVILLE / REUTERS

Cinco pessoas morreram (incluindo o atacante e um policia) e pelo menos 40 ficaram feridas (há um português com ferimentos ligeiros). Esta quarta-feira, um homem atropelou várias pessoas na ponte Westminster e seguiu de faca em punho para o Parlamento

O que aconteceu?

Eram 14h40 quando um carro atropelou várias pessoas que atravessavam a ponte de Westminster, em Londres. Depois, o veículo foi contra a vedação ao lado do edifício do Parlamento, o Palácio de Westminster. Aí, o atacante saiu com uma faca em punho e esfaqueou um polícia (que mais tarde não viria a resistir ao ferimentos).

O atacante foi abatido a tiro.

Poucos minutos após os acontecimentos, chegaram ao local as autoridades e os serviços de emergência. A polícia confirmou que estava a tratar o caso como “um ataque terrorista”.

À hora dos acontecimentos, os deputados estavam reunidos no Parlamento. Também Theresa May, primeira-ministra, ali se encontrava. Foi retirada para um local seguro.

A zona de Westminster é um polo de atração turística. O nível de alerta terrorista no Reino Unido, fixado em agosto de 2014 em “grave”, o quarto de uma escala de cinco, mantém-se.

Quem são as vítimas mortais e os feridos?

Carl Court

Cinco mortos e pelo menos 40 feridos. Este é o balanço oficial confirmado pela Scotland Yard.

Entre as vítimas mortais, estão o atacante e o polícia que foi esfaqueado. O operacional chamava-se Keith Palmer, tinha 48 anos e 15 de serviço. No momento do ataque não estava armado.

As outras três vítimas perderam a vida depois de terem sido atropeladas na ponte de Westminster, sendo que uma destas era uma mulher que ficou debaixo da roda de um autocarro.

Há um português entre os feridos. O homem de 26 anos foi atropelado quando atravessava a rua para apanhar o metro. O português, que vive em Londres com a mãe, sofreu “dois cortes profundos, um no joelho e outro numa mão”, tendo sido assistido no hospital de Chelsea-Westminster. Entretanto, já teve alta e “encontra-se bem de saúde”, garantiu à agência Lusa o secretário de Estado das comunidades, José Luís Carneiro. Os serviços consulares estão a acompanhar o caso.

Entre os 40 feridos estão ainda três polícias. Há também três estudantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos, de nacionalidade francesa feridos, dois deles com gravidade. “Três estudantes do liceu Saint-Joseph de Concarneau (oeste), que estavam numa visita de estudo, constam entre os feridos”, divulgou um porta-voz da diplomacia francesa em comunicado.

Quem são os responsáveis?

STEFAN WERMUTH/ Reuters

Até ao momento, não há confirmação por parte da polícia da identidade do suspeito. As autoridades acreditam que o atacante, que foi morto no local, agiu sozinho. Algumas testemunhas, segundo o “The Telegraph”, descrevem o atacante como um homem na casa dos 40 anos e com traços asiáticos, que trazia consigo uma faca.

“Pensamos saber quem é o atacante, mas não quero dar mais detalhes porque pode prejudicar a investigação em curso”, disse Mark Rowley, comissário da brigada anti-terrorismo da Scotland Yard, a polícia metropolitana londrina, numa conferência de imprensa já esta quarta-feira à noite.

O atentado ainda não foi reivindicado por nenhuma organização. No entanto, segundo os grupos de monitorização, os canais de apoio ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) comunicaram através hashtag #Westminster, tal como aconteceu um pouco por todo o mundo ao longo do dia. Os apoiantes do Daesh celebraram nas redes sociais o acontecimento.

Quem já reagiu?

WPA Pool

Theresa May, a primeira-ministra britânica, já considerou o acontecimento como “sórdido e doentio”. “Não foi uma coincidência que o atacante tenha escolhido o parlamento, pois é o edifício simboliza a democracia, a liberdade e o Estado de Direito”, disse esta noite numa breve declaração.

O primeiro-ministro António Costa expressou solidariedade com o Reino Unidos e sublinhou que os acontecimentos desta quarta-feira “sinalizam bem as prioridades em que a Europa se tem de concentrar”. “Em vez de perdermos tempo abrindo visões inúteis, criando conflitos entre nós, é triste ser necessário eventos destes para nos lembrarmos que temos que nos unir. Só unidos temos capacidade de enfrentar estas ameaças”, defendeu.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, que se encontra em Washington, lamentou o sucedido e referiu que não há indicação de portugueses entre os feridos. “Infelizmente, temos a registar um ataque realizado no centro de Londres. Tudo leva a crer que seja um ataque de natureza terrorista, mas a informação que tenho é que ainda não está confirmado. Também ainda não se sabe a nacionalidade das vítimas. Queria condenar, em nome do governo português, este ataque, e exprimir ao povo inglês e às autoridades britânicas os nossos sentimentos e solidariedade”, disse o chefe da diplomacia nacional.

A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou o seu apoio aos “amigos britânicos e a todos os habitantes de Londres”. “Embora as razões destes atos não serem ainda claras, reafirmo que a Alemanha e os seus cidadãos mantêm-se firmemente e resolutamente ao lado dos britânicos na luta contra todas as formas de terrorismo”, afirmou em comunicado.

François Hollande, Presidente francês disse estar “solidário” com o “povo britânico”. “Expressamos em nome de França toda a nossa solidariedade e o apoio ao povo britânico e à primeira-ministra, Theresa May, que estava na Câmara dos Comuns quando isto aconteceu e teve de sair de forma precipitada do local”, referiu. “O terrorismo afeta-nos a todos. França, que tem sido atingida ultimamente, sabe o que o povo britânico está a sofrer ”, acrescentou.

Donald Trump falou ao telefone com Theresa May logo após o atentado, assegurou Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca. “Condenamos o ataque em Westminster que o Reino Unido considera como um ato de terrorismo e saudamos a resposta rápida da polícia britânica”, referiu.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que esta quarta-feira se encontrava em Bruxelas, manifestou igualmente o seu apoio às vítimas do ataque em Londres. “Estamos com as vítimas. É um dia muito emocional para Bruxelas e o facto de ter acontecido algo de semelhante em Londres coloca-me na situação (...) e não tenho palavras para expressar o que sinto”, disse em conferência de imprensa, após um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa.