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O que disse exatamente Jeroen Dijsselbloem

STEPHANIE LECOCQ / EPA

Fomos ler a entrevista original publicada na edição em papel do “Frankfurter Allgemeine Zeitung” desta segunda-feira, para verificar o contexto em que o presidente do Eurogrupo disse a frase que incendiou os países do sul

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

"Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o pacto no seio da zona euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu", respondeu Jeroen Dijsselbloem quando o jornalista do "Frankfurter Allgemeine Zeitung" (FAZ) o confrontava com o entendimento do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, relativamente ao rigor com que a Comissão Europeia e a UE em geral devem observar as regras em vigor.

"Só Schäuble o defende?", pergunta o jornalista do diário alemão de centro-direita FAZ. Dijsselbloem responde: "Não, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, está sempre a sublinhar este ponto. E eu próprio considero o pacto extremamente importante".

É na resposta em que explica a razão porque defende o mesmo com Schäuble e Draghi que Jeroen Dijsselbloem declara o parágrafo transcrito em cima, traduzido pelo Expresso.

Os primeiros dois terços das perguntas do FAZ centram-se sobre os resultados eleitorais na Holanda e no modo como o mau resultado do partido de Dijsselbloem – Partido do Trabalho – poderá afetar a sua permanência à frente do Eurogrupo após o término do seus mandato, em janeiro de 2018.

O tom do entrevistado relativamente ao tema das suas ambições é ríspido levando o FAZ a escolher para título da entrevista esta sua resposta: "Não vou certamente explicar a minha candidatura ao seu jornal", argumentando que ela dependeria também do apoio dos outros ministros.

A vontade de se recandidatar ao cargo fica, contudo, evidente uma vez que argumenta: "As regras da UE não têm nada contra. Dizem apenas que os ministros do Eurogrupo escolhem um presidente por maioria simples por um período de dois anos e meio. Não é dito que o presidente tem de ser ministro. Até agora, tem sido sempre o caso. Agora, os meus colegas minstros têm de decidir se deve continuar assim e se eu devo ficar no cargo até janeiro de 2018".

Quando o jornalista lhe pergunta se quer cumprir o mandato até ao fim, o ainda presidente do Eurogrupo responde: "Sim, se tiver o apoio dos meus colegas".