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Internacional

Alemanha vai deportar dois alegados terroristas que nasceram e cresceram no país

CLEMENS BILAN / EPA

É o primeiro caso do género, ilustrando o endurecimento ao nível da segurança interna desencadeado após o atentado de dezembro passado, em Berlim

Luís M. Faria

Jornalista

A Alemanha vai deportar um argelino e um nigeriano que planeavam cometer atentados terroristas. O que torna inédito o caso é que os dois, sendo filhos de imigrantes, nasceram e cresceram no país. Viviam em Gottingen (Baixa-Saxónia) e a sua presença em meios islamistas já era notada há algum tempo. Quando foram presos em fevereiro, estariam a ultimar preparativos para lançar ataques em vários países europeus.

Desde o ataque num mercado de Natal de Berlim em dezembro passado, que fez doze mortos e meia centena de feridos, as autoridades alemãs aumentaram a vigilância e endureceram as medidas preventivas. Várias pessoas foram presas em operações diversas, e a extrema-direita procura explorar o assunto na rampa para as eleições nacionais que terão lugar este ano, intensificando as críticas a Angela Merkel pela sua decisão de acolher cerca de um milhão de refugiados.

A atribuição da nacionalidade alemã pode depender do chamado critério do sangue (jus sanguini) ou do local de nascimento (jus soli) ou de uma combinação de fatores. Os dois homens presos, que viviam com os pais e terão declarado fidelidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), tencionavam lançar “um ataque terrorista potencialmente iminente”, segundo as autoridades.

Um tribunal administrativo considerou-os um risco para segurança nacional e aprovou a sua deportação, requerida pelo governo, a qual deverá acontecer antes de meados do próximo mês, após as necessárias combinações com os países de onde as famílias são originárias. A Argélia garantiu que não vai torturar o seu cidadão.

“Estamos a enviar um claro sinal a todos os fanáticos de que não lhes daremos um centímetro de espaço para levarem a cabo os seus planos desprezíveis”, diz o ministro do Interior da Baixa Saxónia. Os dois homens tinham em casa uma arma e uma bandeira do Daesh, mas não foram formalmente acusados de nada. Isso não os impede de serem declarados uma ameaça, com as consequências agora anunciadas.