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Burquíni não escapou ao primeiro debate presidencial em França

Da esquerda para a direita: François Fillon, Emmanuel Macron, Jean-Luc Mélenchon, Marine Le Pen e Benoît Hamon

© Patrick Kovarik / Reuters

Dos onze candidatos às presidenciais francesas, apenas cinco esgrimiram argumentos no primeiro frente a frente televisivo. Uma sondagem diz que o centrista Emmanuel Macron foi “o mais convincente”

Margarida Mota

Jornalista

Foi um debate a cinco, mas no fim apenas dois sobressaíram como os mais fortes candidatos a sucederem a François Hollande na presidência de França. Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (extrema-direita), 48 anos, e o centrista Emmanuel Macron, 39 anos, foram os protagonistas dos momentos mais acesos de um debate organizado pelo canal privado TF1, que durou quase três horas e meia.

A discussão aqueceu quando Le Pen acusou Macron de defender o uso do burquíni, o fato de banho usado por muçulmanas que cobre todo o corpo, visto por alguns sectores políticos como uma ameaça à laicidade, um dos pilares da república francesa. “O senhor não quer ver a gravidade do que se está a passar no nosso país, mas há alguns anos não havia burquínis nas praias. Eu sei que você é a favor, Sr. Macron, mas não havia nenhum.”

“Não preciso de ventríloquo”, respondeu o ex-ministro da Economia. “Já o disse de forma muito clara (…) isso nada tem a ver com laicidade, não é uma questão cultural, é um assunto de ordem pública.”

Frente a frente, estiveram apenas os cinco candidatos melhor classificados nas sondagens. Para além de Le Pen e Macron, participaram o conservador François Fillon (63 anos), o socialista Benoît Hamon (49) e Jean-Luc Mélenchon (65), de esquerda.

Todos eles, à exceção de Mélenchon, defenderam o aumento do orçamento com a Defesa até aos 2% do PIB em 2025 – Marine Le Pen falou mesmo em 3% –, uma boa notícia para o Presidente norte-americano Donald Trump, que tem criticado o incumprimento da esmagadora maioria dos membros da NATO em matéria de contribuição financeira para a Aliança Atlântica.

O debate desta segunda-feira à noite foi visto por 9,8 milhões de telespectadores. Segundo uma sondagem para a BFMTV, Emmanuel Macron foi “o mais convincente” para 29%, seguido de Jean-Luc Mélenchon (20%). Marine Le Pen e François Fillon ficaram em terceiro lugar (19%) e Benoît Hamon convenceu apenas 11% da audiência.

“Não nos meta no mesmo saco”

Os escândalos financeiros que afetam Le Pen e Fillon não passaram ao lado do debate. Após o moderador lançar a questão de forma abstrata, referindo-se a dossiês judiciais que afetam “certos” candidatos, Mélenchon não perdeu a oportunidade para os nomear: “Quando você diz que o debate tem sido contaminado pelos assuntos de alguns – desculpe, não meus! – aqui, só há duas pessoas que estão preocupadas: o sr. Fillon e a sra. Le Pen. Nós não temos nada a ver com isso, por isso não nos meta no mesmo saco”.

Alvo de uma investigação formal sobre uso indevido de fundos públicos quando contratou a mulher como sua assistente parlamentar, o ex-primeiro-ministro Fillon negou as acusações, mais uma vez, afirmou ser vítima de um “assassínio político” e reafirmou que vai manter-se na corrida ao Eliseu.

Para além dos cinco candidatos presentes no debate, concorrem Nicolas Dupont-Aignan (Debout la France! / França de Pé), Nathalie Arthaud (Lutte Ouvrière / Luta Operária), Philippe Poutou (Nouveau Parti anticapitaliste / Novo Partido Anticapitalista), Jacques Cheminade (Solidarité et progrès / Solidariedade e Progresso), Jean Lassalle (independente) e François Asselineau (Union Populaire Républicaine / União Popular Republicana).

As eleições presidenciais realizam-se a 23 de abril. Se nenhum candidatos obtiver mais de 50% dos votos, está prevista uma segunda volta para 7 de maio. As sondagens preveem que o duelo final será travado entre Le Pen e Macron.