Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Aliado de Merkel diz que Erdogan “não é bem-vindo” na Alemanha

Thomas Lohnes/GETTY

Governador do estado federal de Hesse considera que uma visita do Presidente turco poderia levantar problemas ao nível da segurança

Aumenta a tensão entre Ancara e Berlim. Depois de Recep Tayyip Erdogan ter comparado o governo de Merkel aos nazis — após comícios turcos não serem autorizados na Alemanha —, um aliado da chanceler alemã foi perentório: o Presidente turco não é bem-vindo no país. Volker Bouffier, governador do estado federal de Hesse e membro da União Democrática Cristã (CDU), o partido de Merkel, considerou inclusivamente que uma visita do Presidente turco à Alemanha poderia levantar problemas ao nível da segurança.

“Basta. Erdogan e o seu governo não são bem-vindos no nosso país e isso têm de ser entendido. Alguém que nos insulta desta forma não pode esperar que tenhamos milhares de polícias para protegê-lo”, declarou Volker Bouffier à DLF, citado pela Reuters.

Em causa estão notícias que dão conta da intenção de Erdogan se deslocar à Alemanha antes do referendo sobre a reforma constitucional, que terá lugar a 16 de abril na Turquia. O executivo alemão garante que ainda não recebeu nenhum pedido formal do chefe de Estado turco para visitar o país. No entanto, são vários os órgãos de comunicação que dão como certa essa visita.

Também Reiner Haseloff, governador do estado da Saxónia-Anhalt e membro do partido de Merkel, apelou ao executivo germânico para travar a visita de membros do governo turco. “Aqueles que nos comparam aos nazis não são bem-vindos. Isso não é aceitável. Qualquer estadista que quer discutir algo connosco é bem-vindo enquanto convidado e será bem-recebido segundo o protocolo adequado, mas isso não inclui campanha e especialmente aqueles que nos descredibilizam enquanto nação”, escreveu Reiner Haseloff num artigo publicado, esta terça-feira no “Die Welt.”

Na segunda-feira passada, Erdogan acusou a chanceler alemã de “dar apoio a terroristas” numa entrevista ao canal A Haber TV e, quatro dias depois, o jornal turco “Günes”, um tablóide pró-governamental, publicou na sua primeira página a imagem de Merkel com uniforme nazi e bigode à Hitler.

Apesar das acusações, Ancara desvaloriza o ambiente de crispação com a Alemanha e outros países da UE. Segundo o vice-primeiro-ministro turco, Numan Kurtulmus, o governo está a utilizar “metáforas sobre o fascismo” em jeito de alerta para os países europeus não caírem de novo no erro do nazismo.

O mal-estar diplomático da Turquia começou com a Holanda há mais de 15 dias quando o país impediu a entrada do ministro turco dos Negócios Estrangeiros e da ministra para os Assuntos Familiares para participarem num comício junto da comunidade de imigrantes turcos em Roterdão. Essa ação levou a Turquia a suspender das relações com a Holanda, pedindo depois Bruxelas moderação nos comentários e a resolução das diferenças através do diálogo.