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May inicia périplo pelo país a promover o Brexit

YUI MOK/GETTY

O Executivo de Londres quer ouvir os pontos de vista da população e dos governantes regionais do País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, e defender a importância da união com Inglaterra, antes de desencadear o processo do Brexit

A nove dias de invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, a primeira-ministra britânica, Theresa May, visita o País de Gales esta segunda-feira, acompanhada pelo ministro David Davis, responsável pelas negociações do Brexit. A deslocação dos governantes enquadra-se numa digressão que May fará pelos quatro países que formam o Reino Unido antes de desencadear o processo de saída da UE.

O Executivo conservador de Londres quer ouvir os pontos de vista da população e dos governantes regionais do País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, e defender a importância da união com Inglaterra. O primeiro-ministro galês, o trabalhista Carwyn Jones, disse esperar que a chefe do Governo britânico se envolva a sério na discussão com os cidadãos antes da ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa.

“Temos a impressão de que às vezes não nos escutam. Se não tiverem cuidado, essa sensação de desinteresse por parte de Bruxelas vai juntar-se à de Londres. As pessoas no País de Gales vão começar a dizer: ‘Bem, o Governo está ouvir os escoceses, precisamos de ser como eles’'”, afirmou Jones, alertando que esse pode ser um caminho perigoso para o Reino Unido. Hoje May e Davis estarão com representantes empresariais galeses para discutir como podem aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pelo Brexit, disse um porta-voz de Downing Street.

O conflito escocês

O Executivo britânico quer insistir na importância de manter o Reino Unido. Depois de a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, ter anunciado na semana passada que quer lançar um um novo referendo sobre a independência da Escócia entre o outono de 2018 e a primavera de 2019, May tem tecido duras críticas à intenção de Edimburgo.

Recorde-se que, no referendo sobre a UE, a 23 de junho último, os escoceses votaram maioritariamente pela permanência (62%-38%), tal como os norte-irlandeses (56%-44%). Sturgeon argumenta que, além de o Brexit contrariar a vontade dos cidadãos escoceses, a intransigência de May em admitir um estatuto excecional para a Escócia após a saída torna o novo referendo inevitável. Em 2014, a população rejeitou a separação por 55%-45%.

“É evidente que utilizar o Brexit como pretexto para realizar um novo referendo sobre a independência era o único objetivo do Partido Nacional Escocês [SNP, liderado por Sturgeon, no poder em Edimburgo desde 2007] desde junho”, disse May na sexta-feira, durante um discurso em Cardiff, falando num “nacionalismo divisor e obsessivo” do governo escocês.

A par da Escócia, o maior partido nacionalista da Irlanda do Norte e segunda força política do governo local, o Sinn Fein, também já manifestou intenção em realizar uma consulta popular o mais breve possível. Teme-se que alterações aos controlos fronteiriços entre a República da Irlanda (independente) e a Irlanda do Norte (britânica) possam causar tumulto social e ameaçar a paz a custo conquistada naquela região. A Irlanda do Norte está, de resto, a tentar formar governo regional após as eleições de 2 de março, terminando o prazo legal na quinta-feira.

Acordo de Defesa com Berlim

O Executivo britânico anunciou, entretanto, que Londres e Berlim irão assinar em breve uma aliança de Defesa, que traduzirá a “visão conjunta da cooperação futura”, refere o jornal “The Daily Telegraph”. O acordo prevê que os dois países continuem a cooperar nas áreas de treino, cibersegurança e patrulhas marítimas, entre outras.

No próximo dia 29 de março, May vai invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa e desencadear a saída do Reino Unido da UE, após a aprovação das duas câmaras parlamentares no início de março. Reconhecendo que era impossível o Reino Unido manter-se no mercado único europeu, a primeira-ministra defende um acordo com a UE que permita o comércio mais livre possível de bens e serviços entre o país e os 27 Estados-membros restantes. Em janeiro, a governante deixara um aviso aos parceiros europeus: “Nenhum acordo é melhor do que um mau acordo para o Reino Unido”.

O ministro do Brexit, David Davis, já admitiu a possibilidade de o país deixar a UE sem um acordo comercial. Recorde-se que 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit no referendo de 2016. Com a saída da UE, o Reino Unido deixará o mercado único e passará a controlar a imigração oriunda dos 27.