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Internacional

Homem preso por causar ataque epilético através do Twitter

A vitima foi um jornalista americano, que tem falado publicamente sobre a sua doença

Luís M. Faria

Jornalista

Kurt Eichenwald é um jornalista da revista "Newsweek" que há muito critica Donald Trump. É também alguém que sofre de epilepsia e tem escrito sobre o assunto, explicando não só os efeitos dramáticos da doença como os fatores que podem desencadear os seus ataques. No passado dia 15 de dezembro, após ter participado num programa de debate político na televisão, alguém lhe enviou uma mensagem no Twitter com um elemento especial: uma luz estroboscópica.

O objetivo era deliberado e maligno. Conforme Eichenwald explicou no dia seguinte, "a noite passada, uma pessoa consciente de que sofro de epilepsia enviou-me uma luz a piscar com a mensagem: você merece ter um ataque. Funcionou. Não vai tornar a acontecer. A minha mulher está aterrorizada. Eu estou... enojado".

Já uma vez antes o haviam atacado dessa forma. Nessa altura, ele largou o iPad e acabou por não sofrer o ataque. Desta vez não teve a mesma sorte, pois o episódio clínico desencadeou-se. O seu advogado revelou que o ataque deixou-o incapacitado durante alguns dias, tendo perdido a sensbilidade na mão esquerda e registado problemas com a fala durante várias semanas.

Primeiro caso do género

Eichenwald e a sua mulher queixaram-se de imediato às autoridades. O primeiro passo foi pedir a um tribunal que obrigasse a rede social a revelar a identidade do agressor. Antes que o juiz decidisse, alguém apresentou um pedido em sentido contrário, exigindo que o Twitter protegesse a sua identidade. A pessoa em causa era referida publicamente com o nome genérico de John Doe, mas as autoridades ficaram a saber de quem se tratava

Agora foram prendê-lo. É um homem chamado John Rivello, que vive no estado do Maryland. A sua responsabilidade parece não estar em dúvida. Além da mensagem com a luz, enviou outras não menos ofensivas, e terá alterado a página da Wikipédia sobre Eichenwald para dar como data da sua morte... o dia 16 de dezembro.

"O que o senhor Rivello fez com a sua mensagem no Twitter não foi diferente se alguém enviar uma mensagem pelo correio ou mandar um envelope com antrax", reagiu o advogado de Eichenwald. "Não foi o conteúdo da comunicação que tentou convencer alguém ou fazer a pessoa sentir-se mal consigo própria. Isto foi uma comunicação eletrónica concebida para ter um efeito físico".

As autoridades acusam Rivello de ciberassédio, com intenção se provocar danos físicos. Que se saiba, é o primeiro caso do género.