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Internacional

Governo do Paquistão ordena reabertura imediata da fronteira com o Afeganistão

NOORULLAH SHIRZADA

Ordem para reabrir as passagens fronteiriças de Torkham e Chaman, mais de um mês depois do seu encerramento, é “gesto de boa vontade”, diz primeiro-ministro paquistanês

O primeiro-ministro do Paquistão ordenou esta segunda-feira que a fronteira com o Afeganistão seja reaberta de imediato, mais de um mês depois de ter ditado o seu encerramento. As passagens de Torkham e Chaman tinham sido vedadas pelas autoridades paquistanesas a 16 de fevereiro, após uma série de ataques suicidas coordenados que vitimaram mais de 130 pessoas no país. O governo de Nawaz Sharif responsabiliza os talibãs e outros grupos armados pela violência.

O encerramento da fronteira deixou centenas de milhares de pessoas encurraladas entre as duas passagens com camiões carregados de comida e outros bens. "Tomámos esta decisão por questões humanitárias", como "um gesto de boa vontade", disse o governo em comunicado divulgado esta segunda-feira. O gabinete de Sharif diz que, apesar de haver provas de que "elementos anti-Paquistão" estão atualmente presentes em território afegão, manter a fronteira encerrada só castiga os cidadãos comuns. "Esperamos que o governo afegão faça o que tem de fazer para que aquilo que nos levou a tomar esta decisão [de encerrar a fronteira] não volte a repetir-se."

No início de março, o Paquistão tinha reaberto temporariamente as duas passagens fronteiriças para que os cidadãos de visita a familiares num dos dois países pudessem voltar às suas casas. O Afeganistão continua a culpar o Paquistão por dar guarida aos talibãs afegãos e aos líderes da rede extremista Haqqani no seu território. As autoridades paquistanesas, por seu lado, acusam o país vizinho de permitir que elementos dos talibãs paquistaneses operem na província de Nangarhar e noutras partes do território afegão.

No rescaldo dos atentados no início de fevereiro, o ministro paquistanês da Defesa, Khwaja Asif, sugeriu publicamente que a fronteira com o Afeganistão está a ser usada como "avenida principal" pelos talibãs paquistaneses. O embaixador afegão em Islamabade, Omar Zakhilwal, respondeu na altura que encerrar as passagens não serve os interesses de ninguém e que "só danifica as trocas e os cidadãos dos dois lados". As passagens de Torkham e Chaman são grandes artérias de trocas bilaterais e comércio entre os dois países que totalizam os 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,4 mil milhões de euros) por ano. Cerca de 15 mil afegãos usam a passagem de Torkham diariamente, com quase tantos a recorrerem à passagem de Chaman a cada dia.