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Francisco ‘Lu-Olo’ Guterres acredita que vai ser Presidente de Timor

Atualmente com 62 anos, Guterres conta com o apoio dos dois maiores partidos

MAST IRHAM/EPA

Já terminou a votação para as presidenciais timorenses. As eurodeputadas portuguesas Ana Gomes e Marisa Matias, observadoras destas primeiras eleições após a saída das forças de manutenção de paz da ONU, indicam que a ida às urnas decorreu sem problemas

“Estou seguro de vou vencer, não haverá segunda volta”, afirmou Francisco Guterres, o antigo combatente da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), conhecido pelo nome de guerra ‘Lu Olo’. “Mas irei aceitar qualquer que seja o resultado”, acrescentou quando se dirigia às urnas, em declarações reproduzidas pela Agência France Presse (AFP).

A votação para as quartas eleições presidenciais de Timor-Leste, as primeiras desde a saída das forças de manutenção de paz da ONU em 2012, terminou às 15h locais (6h em Lisboa). As eurodeputadas portuguesas Ana Gomes e Marisa Matias, que foram destacadas como observadoras do processo eleitoral, afirmam que o processo decorreu de forma ordeira e sem problemas, com longas filas de eleitores. “Onde estive a observar está tudo calmíssimo, tranquilíssimo, com muita afluência e sinais de que as pessoas, mesmo os jovens, são muito conhecedoras do processo e do que têm a fazer”, afirmou Gomes à agência Lusa em Díli.

O Governo timorense deu tolerância de ponto a todos os funcionários públicos no dia da votação e na terça-feira, para que todos possam votar nas suas zonas e depois regressar ao local onde vivem. Estavam registados mais de 740 mil eleitores, numas presidenciais a que concorreram oito candidatos. Guterres conta com o apoio dos principais partidos, a Fretilin e o Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) de Xanana Gusmão, surgindo com possibilidades de obter os 50% necessários para evitar uma segunda volta em abril.

“Quero mudar as condições de vida das pessoas, em todas as áreas, passando pela saúde, educação e vida económica sustentável”, afirmou o candidato favorito. Atualmente com 62 anos, Guterres perdeu em 2012 a presidência para Taur Matan Ruak. O Presidente cessante decidiu não recandidatar-se.

O maior rival de Guterres é o ministro da Educação, António da Conceição, do Partido Democrático, que contou também com o apoio do recém-formado Partido da Libertação do Povo. Analistas realçam que a base de apoio alargada de Guterres poderá ajudar ajudar a estabilizar um país ainda com grande instabilidade e risco de violência. “Isso é bom do ponto de vista da estabilidade, porque políticos competitivos podem gerar tensões”, afirmou à AFP Damien Kingsbury, especialista em assuntos timorenses na universidade australiana de Deakin. Acrescenta, contudo, que a falta de oposição poderá levantar problemas de ausência de pressão para uma governação responsável.

O país, que conquistou a independência em 2002, tem 60% da população desempregada e continua ter na exploração de petróleo e gás a sua grande fonte de riqueza, representando 60% do PIB e mais de 90% das receitas do Estado, segundo números de 2014. Às eleições presidenciais seguir-se-ão, no mês de julho, as legislativas.