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Internacional

Diretores das secretas vão discutir alegadas ligações de Trump à Rússia e escutas que não aconteceram

Devin Nunes (direita) lidera a Comissão de Serviços de Informação da Câmara dos Representantes com o democrata Adam Schiff

Mark Wilson

Audiência convocada pelos líderes da comissão de serviços de informação da Câmara dos Representantes está marcada para as 10h locais desta segunda-feira (14h em Lisboa) e será aberta ao público

Os diretores do FBI e da Agência de Segurança Nacional (NSA) vão prestar depoimentos ao Congresso norte-americano esta segunda-feira sobre as alegadas ligações de membros da campanha de Donald Trump à Rússia de Vladimir Putin, numa rara audiência aberta da comissão de serviços de informação da Câmara dos Representantes convocada pelos seus dois líderes, onde também serão abordadas as alegadas escutas que o Presidente diz terem sido ordenadas pelo seu antecessor Barack Obama.

Na semana passada, o republicano Devin Nunes, que atualmente chefia essa comissão da câmara baixa do Congresso, e Adam Schiff, o principal democrata do painel, decidiram convocar James Comey, diretor do FBI, e o almirante Mike Rogers, que dirige a NASA, a testemunhar sobre as alegadas ligações que são desmentidas por Moscovo, no âmbito de uma investigação que Trump diz ser uma "total caça às bruxas". A audiência está marcada para as 10h desta segunda-feira em Washington DC (14h em Lisboa).

Em janeiro, as duas agências de espionagem tinham avançado existirem indícios fortes de que hackers patrocinados pelo Estado russo foram responsáveis pelos ciberataques aos sistemas informáticos do Partido Democrata que, durante a campanha eleitoral, culminaram na divulgação de emails sobre Hillary Clinton e que, em última instância, conduziram à derrota da candidata democrata e à eleição do candidato republicano.

Este domingo, Nunes informou que com base em tudo o que recolheu "não existem provas" de conluio entre a campanha de Trump e a Rússia de Putin. Schiff, pelo contrário, disse aos media que o material já acumulado parece comprovar que houve cidadãos norte-americanos a colaborar com os russos para influenciar os resultados das eleições de novembro. "Existem provas circunstanciais de conluio e, na minha opinião, existem provas diretas de deceção. Existe certamente [material] suficiente para que uma investigação seja aberta" no Congresso.

Até agora, dois membros da administração Trump já foram diretamente implicados no caso: o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn e o atual procurador-geral (correspondente ao ministro da Justiça) Jeff Sessions. Flynn foi obrigado a demitir-se do cargo ao 25.º dia do governo por causa de contactos telefónicos com o embaixador da Rússia em Washington, em que foram discutidas formas de anular as sanções impostas pela administração Obama a personalidades e empresas russas. Sessions já se retirou do inquérito do FBI, que responde diretamente ao seu Departamento de Justiça, após ter sido denunciado que mentiu ao Congresso sobre contactos mantidos com o mesmo diplomata russo, o embaixador Sergei Kislyak, durante a corrida eleitoral.

Na audiência desta segunda-feira, os republicanos e democratas da comissão também vão abordar as alegações de Trump sobre escutas ordenadas por Obama à sua Torre Trump durante a campanha. Trump continua sem apresentar quaisquer provas que sustentem essa acusação, tendo dito na semana passada que os jornalistas devem "falar com a Fox News" sobre o assunto – o canal onde a acusação foi inicialmente lançada por um comentador. (A Fox News já respondeu, dizendo que não parecem existir quaisquer provas que sustentem a alegação). Os legisladores dos dois partidos rejeitam a ideia de que Obama ordenou a monitorização ilegal do candidato republiano. Este domingo, Nunes disse no mesmo canal que uma revisão preliminar dos documentos que lhe foram fornecidos pelo Departamento de Justiça demonstram que não houve quaisquer escutas a Trump.