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Bruxelas suspende importação com empresas envolvidas em escândalo de carne brasileira

MIGUEL SCHINCARIOL/GETTY

Comissão Europeia diz que já pediu esclarecimentos às autoridades brasileiras e que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para o bloco

A Comissão Europeia garantiu esta segunda-feira que está a acompanhar a investigação a fraudes envolvendo produtos animais de consumo e que todas as empresas envolvidas estão impedidas de exportar para a União Europeia (UE).

"A Comissão está informada sobre a investigação que decorre no Brasil e pediu, na sexta-feira, clarificações às autoridades brasileiras", disse o porta-voz do executivo comunitário para a saúde, Enrico Brívio, na conferência de imprensa diária.

Bruxelas, adiantou, "garantirá que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para a UE", adiantando que a Comissão pediu aos Estados-membros para aumentarem os controlos sobre a carne vinda do Brasil.

Na sexta-feira a Polícia Federal brasileira começou a cumprir 309 mandados judiciais em seis Estados e no Distrito Federal, numa operação que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e empresários do setor num esquema de facilitação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

No domingo, o Presidente do Brasil, Michel Temer, garantiu que a carne brasileira é segura e que a organização que adulterava estes produtos já foi desmantelada e que se tratou de um caso "pontual".

Temer recebeu esta segundfa-feira, numa reunião de emergência, cerca de 20 embaixadores de países que figuram entre os 150 importadores de carnes brasileiras, para responder a dúvidas suscitadas pelo caso que envolve uma organização criminosa que adulterava esses produtos, tanto para o mercado local, como externo.

Durante o encontro, que decorreu no palácio presidencial do Planalto, em Brasília, o Presidente brasileiro garantiu que as investigações permitiram desmantelar um "pequeno" grupo e sublinhou os rigorosos controlos aplicados a carnes brasileiras, "que foram reconhecidos por todos os importadores".

Temer precisou que, de 4.837 empresas do sector da carne, apenas 21 estão sob suspeita e que cerca de 30 dos mais de 10 mil funcionários de fiscalização sanitária do país estão implicados no escândalo, conhecido na sexta-feira.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e o quarto no segmento de carne de porco, com as vendas externas destes três setores a representar no ano passado 7,2% desse comércio, na ordem dos 11,6 milhões de dólares (cerca de 3,5 milhões de euros).

De acordo com a polícia federal, funcionários públicos eram subornados por diretores de empresas para darem aval a carnes com prazos de validade já ultrapassados, mas adulteradas.

Entre as práticas, foi comprovado o uso de químicos para melhorar o aspeto das carnes, a falsificação de etiquetas com a data de validade ou a inclusão de alimentos não adequados para consumo na elaboração de enchidos.

Outros 21 estabelecimentos estão sob investigação e o Ministério da Agricultura afastou 33 funcionários por envolvimento no esquema.