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Internacional

Alemanha testa software linguístico para identificar origem dos refugiados

Há candidatos a asilo que se fazem passar por sírios para facilitar o processo

Luís M. Faria

Jornalista

A Alemanha vai começar a usar software de análise linguística para examinar a proveniência dos candidatos a asilo no país. Segundo informação do Departamento Federal de Imigrantes e Refugiados, o novo sistema vai começar a ser testado ao longo das próximas semanas, devendo ser usado rotineiramente a partir do próximo ano. Contudo, há especialistas que questionam a sua fiabilidade.

Desde 1998 que o país usa análise linguística para ajudar a determinar de onde vêm pessoas que chegam à Alemanha, frequentemente sem papéis. O problema agravou-se com o afluxo maciço de refugiados em consequência das guerras em vários países do Médio Oriente. Muitas pessoas que não seriam refugiadas no sentido legal declaram-se oriundas desses países, em especial a Síria, a fim de conseguir mais facilmente residência na Alemanha.

É para expor esses casos que vai ser instalar o sistema agora anunciado. Baseado em programas usados por bancos e seguradoras, será aplicado em conjunção com outros recursos, incluindo a presença de especialistas e a análise documental. Espera-se que seja suficientemente preciso para identificar não apenas línguas como dialetos.

Há quem permaneça cético. Falando à “Deutsche Welle”, uma especialista em “atrito linguístico” (a degradação na utilização da língua-mãe quando se vive no estrangeiro) disse que pode ser muito complexo usar a linguagem para perceber a região de onde uma pessoa vem.

“Um analista deve ter uma experiência sólida em análise linguística e ser capaz de levar em conta uma grande variedade de fatores. Por exemplo, as pessoas adaptam o modo como falam aos padrões de discurso dos seus interlocutores”, diz Monica Schmid, da Universidade de Essex.

Chama também à atenção para o facto de que a presença de certas pronúncias ou vocábulos pode ser não tanto uma indicação da origem de alguém como um sinal de que a pessoa que fala se deixou intimidar ou sugestionar por aqueles com quem fala, sejam intérpretes ou entrevistadores. “Não vejo como um software automático seja capaz de distinguir”, conclui.