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A resposta de Duterte ao Parlamento Europeu. “Metam-se nos vossos assuntos”

ERWIN MASCARINAS/AFP/Getty Images

Insultos surgem em resposta a uma resolução aprovada pelos eurodeputados na semana passada, na qual o Presidente das Filipinas é criticado por querer restaurar a pena de morte no país e por ter ordenado a detenção de uma das suas principais críticas internas, a senadora Leila de Lima, com base em provas “fabricadas”

O controverso Presidente das Filipinas condenou esta segunda-feira o Parlamento Europeu por ter aprovado uma resolução que condena a restauração da pena de morte na nação asiática. "Vou falar em inglês", disse Rodrigo Duterte durante um encontro com filipinos emigrados na Birmânia. "Não imponham a vossa cultura ou as vossas crenças como se fossem o governo deste planeta. Não se imponham a outros países, muito menos a nós. Porque é que não se metem nos vossos assuntos? Porque é que têm de nos lixar, f*...-*..?"

Desde que tomou posse em julho, Duterte tem liderado uma sangrenta guerra contra as drogas que já se saldou em mais de sete mil mortos, na sua maioria pequenos traficantes e alegados toxicodependentes, sob duras críticas da comunidade internacional e de organizações não-governamentais. Autarca da cidade de Davao durante mais de 20 anos, Duterte é conhecido como o "Justiceiro" e, já depois de ter tomado posse, assumiu publicamente que ele próprio já matou vários suspeitos criminosos, tendo atirado um de um helicóptero em altitude.

Adorado por muitos filipinos pelo seu estilo confrontativo, o Presidente continua empenhado em insultar os que o criticam; depois de classificar as Nações Unidas como uma organização "estúpida" e de chamar "filho da p*..ta" ao ex-Presidente dos EUA, Barack Obama, e ao Papa Francisco, esta segunda-feira voltou a recorrer a linguagem pouco diplomática para atacar os deputados europeus, depois de o PE ter aprovado uma resolução condenatória ao seu governo por estar a preparar-se para reinstalar a pena de morte no país.

No documento, os eurodeputados dizem-se "muito alarmados" com os planos para restaurar um castigo "cruel e desumano que não serve para impedir comportamentos criminosos" e pedem a libertação imediata da senadora Leila de Lima, que foi presa em fevereiro sob acusações duvidosas de tráfico de droga que o braço legislativo da União Europeia dizem ter sido "fabricadas". Também condenam as ameaças feitas publicamente por Duterte a ativistas de Direitos Humanos, as "alegações credíveis" de que a polícia filipina falsifica provas para justificar execuções extrajudiciais e os planos do governo para baixar a idade de imputação criminal para os nove anos.

Na semana passada, a câmara baixa das Filipinas aprovou um projeto-lei que prevê a execução de pessoas condenadas por tráfico de droga ou por enforcamento, ou por injeção letal ou por fuzilamento. O projeto-lei segue agora para o Senado, onde deverá ser aprovado antes de ser promulgado por Duterte. No final de janeiro, o Presidente ordenou a suspensão de todas as operações policiais no âmbito da sua campanha contra as drogas após o homicídio de um empresário sul-coreano por agentes da polícia. Contudo, o Exército continua a ter carta branca para atuar nas ruas do país.

Mais de dois terços dos países já aboliram a pena de morte. Apesar de as Filipinas terem sido um dos primeiros do Sudeste Asiático a fazê-lo, Duterte declarou no domingo que a pena capital é um castigo "favorito" da região. "Existe na Indonésia e na Malásia e eu quero reavivá-la."

Também ontem, o Presidente filipino assumiu um tom desafiante perante exigências de que seja julgado por crimes contra a humanidade no âmbito da sua guerra contra as drogas. "Não vou ser intimidado nem travado. Por quem? Pelo Tribunal Penal Internacional? Se isso estiver traçado no meu destino, será o meu destino lá ir. Mas a luta contra a corrupção, a criminalidade e as drogas será retomada e vai continuar e vai ser brutal."