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Ataque em Orly. Pai do suspeito diz que o filho “não era um terrorista”

CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Ziyed Ben Belgacem, suspeito de ter disparado contra uma agente da polícia no norte de Paris e de ter atacado uma militar do dispositivo antiterrorista no aeroporto de Orly, no sul da capital francesa, estaria “sob influência de álcool e droga”, disse o pai.

Helena Bento

Jornalista

O pai do homem de 39 anos que no sábado disparou sobre uma agente da polícia na localidade de Garge les Gonesse, a norte de Paris, e atacou, horas depois, uma militar no aeroporto de Orly, no sul capital francesa, disse à rádio francesa Europe 1 que o filho “não era terrorista” e que agiu daquela forma por estar “sob influência de álcool e droga”.

Em conferência de imprensa no sábado, François Molins, procurador de Paris, confirmou que Ziyed Ben Belgacem, nascido na capital francesa, tinha cadastro e já era conhecido da polícia, por furtos e tráfico de estupefacientes. Tinha sido vigiado pelos serviços secretos por alegadamente se ter radicalizado na prisão onde esteve entre 2011 e 2012. No aeroporto de Paris, antes de atacar a militar da operação Sentinela - criada pelo governo de Paris depois dos atentados de novembro de 2015, para reforçar a segurança em locais-chave - o suspeito terá dito que queria “morrer por Alá” e que ia matar pessoas.

Antes de chegar ao aeroporto, onde apontou então a arma que trazia consigo à cabeça da militar e usou-a como escudo, para se proteger, tendo sido depois abatido por outros seguranças que se encontravam no local, o suspeito disparara contra uma agente da polícia que o mandou parar por estar aparentemente a circular em velocidade excessiva, em Garge les Gonesse, localidade onde vivia, a norte da capital.

Foi neste momento que Ben Belgacem terá telefonado ao pai e ao irmão para lhes pedir desculpa por ter “feito asneira com uma agente da polícia”, revelou inicialmente o “Le Figaro”, citando uma fonte próxima da investigação. A informação foi depois confirmada por François Molins, procurador de Paris, em conferência de imprensa. Este domingo, em declarações à rádio francesa Europe 1, o pai do suspeito disse que este lhe ligou “num estado de extrema agitação”.

Ben Belgacem deslocou-se depois a Vitry, no sul da capital francesa, onde terá entrado armado num bar e ameaçado as pessoas que ali se encontravam. Foi também naquela localidade que roubou outro automóvel, um Citroën Picasso, que haveria então de ser encontrado, horas depois, no aeroporto de Orly.

Assim que se deu o incidente no aeroporto, o pai, o irmão e um primo com quem o suspeito esteve no dia anterior aos ataques, apresentaram-se numa esquadra e foram ouvidos pela polícia. O pai foi libertado no sábado à noite. O irmão e o primo continuam detidos e a ser interrogados.