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Suspeito do ataque em Orly telefonou à família: “Fiz uma coisa estúpida”

CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS

Suspeito do ataque deste sábado no aeroporto de Orly, em Paris, foi identificado como sendo Ziyed Ben Belgacem. O homem de 39 anos, nascido em França, tinha cadastro e já era conhecido da polícia, por furtos e tráfico de estupefacientes. Estaria a ser vigiado pelos serviços secretos por alegadamente se ter radicalizado na prisão onde esteve entre 2011 e 2012. Antes de chegar ao aeroporto, disparou sobre três polícias e ameaçou os clientes de um bar em Vitry, no sul de Paris

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O homem que este sábado de manhã instalou o caos no aeroporto de Orly, em Paris, e foi abatido pelas forças de segurança, foi identificado como sendo Ziyed Ben Belgacem, um cidadão de 39 anos nascido em França. De acordo com o “Le Figaro”, o suspeito tinha cadastro e já era conhecido da polícia, por furtos e tráfico de estupefacientes. Ao pai e ao irmão, que foram ouvidos entretanto pelas autoridades francesas, terá dito que fez “uma coisa estúpida” e que disparou “sobre pessoas”.

Segundo a televisão BMFTV, o suspeito estava a ser vigiado pelos serviços secretos por alegadamente se ter radicalizado na prisão onde esteve entre 2011 e 2012. Vivia atualmente em Garge les Gonesse, a norte de Paris. A polícia efetuou buscas na sua residência, onde encontrou cocaína e uma catana.

Como tudo aconteceu

Eram 8h30 locais (7h30 em Lisboa) quando o suspeito tentou tirar a arma de uma militar da operação Sentinela - criada pelo governo de Paris depois dos atentados de novembro de 2015, para manter a segurança - no terminal de Orly-Sul, antes de se esconder numa loja do aeroporto. Ao aperceberem-se da situação, outros militares que se encontravam no local dispararam sobre ele. O suspeito teve morte imediata.

Horas antes deste incidente, cerca das 6h50 (menos uma hora em Lisboa) o suspeito tinha disparado sobre três polícias que o mandaram parar por estar aparentemente a circular em velocidade excessiva, em Stains, a norte da capital. Um dos polícias ficou ferido, mas sem gravidade. O suspeito, que seguia ao volante de um Renault Clio, terá então telefonado ao pai e ao irmão - que foram ouvidos e continuam detidos, assim como um primo com quem o homem esteve no dia anterior aos ataques - para lhes dizer que fizera “uma coisa estúpida” e que tinha disparado “sobre pessoas”, revelou o “Le Figaro”, citando uma fonte próxima da investigação. A informação foi entretanto confirmada François Molins, procurador de Paris, em conferência de imprensa.

Depois deste incidente, o homem de 39 anos ter-se-á deslocado a Vitry, no sul da capital francesa, onde terá entrado num bar e ameaçado as pessoas que ali se encontravam, disparando quatro tiros para o ar, segundo o procurador. Foi também naquela localidade que roubou outro automóvel, um Citroën Picasso, que haveria de ser encontrado, então, no aeroporto de Orly, horas depois. François Molins confirmou ainda que, já no interior do aeroporto, o homem gritou: “Estou aqui para morrer por Alá. Vai haver mortos”. Depois, apontou a arma que trazia consigo à cabeça da militar e usou-a como escudo, para se proteger, tendo conseguido retirar-lhe a espingarda. Acabou por ser abatido por dois outros militares que se aperceberam do que estava a acontecer. O ataque terá durado pouco mais de dois minutos.

Reabertos terminais de Paris-Orly

Entretanto, os dois terminais do aeroporto de Orly, Sul e Oeste, foram reabertos e o tráfego aéreo, que tinha sido interrompido na sequência dos incidentes (dos 474 voos programados foram adiados, no total, 178, tendo sido ainda desviados 34) foi retomado ao início desta tarde. O terminal Sul só deverá, porém, voltar a funcionar normalmente durante a manhã de domingo, explicou Augustin de Romanet, responsável dos Aeroportos de França, à France Presse.