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Internacional

Rex Tillerson em Seul à procura de uma “nova abordagem” para fazer frente à Coreia do Norte

LEE JIN-MAN

Uma semana depois de o Supremo Tribunal da Coreia do Sul ter destituído a Presidente Park Geun-hye, abrindo a porta a uma viragem política mais favorável a Pyongyang, secretário de Estado norte-americano viaja até ao país para negociar alteração da estratégia conjunta face ao Norte, depois de “20 anos de diplomacia falhada”

O chefe da diplomacia norte-americana aterrou esta sexta-feira na capital da Coreia do Sul para negociar uma "nova abordagem" à Coreia do Norte distinta do que classifica como "duas décadas de esforços diplomáticos falhados" para desmantelar o programa nuclear do mais hermético Estado do mundo. Esta manhã, Rex Tillerson visitou a Zona Desmilitarizada (DMZ), a linha fronteiriça que divide as duas Coreias desde a assinatura do armistício de 1953.

O ex-executivo do petróleo sem experiência diplomática que Donald Trump nomeou Secretário de Estado (o correspondente ao ministro dos Negócios Estrangeiros) deu início a um périplo pela Ásia na quarta-feira, dia em que chegou ao Japão; foi dali, da base aérea de Osan, que partiu para Seul e depois para a DMZ, onde esta sexta-feira se encontrou com o comandante das 28 mil tropas norte-americanas estacionadas na Coreia do Sul para defender o território e toda a região de potenciais ameaças de Pyongyang. Amanhã parte para a China.

Em Tóquio, Tillerson tinha dito aos jornalistas que os últimos 20 anos de esforços diplomáticos e de outra índole — incluindo o período em que os EUA forneceram um pacote de ajuda externa à Coreia do Norte que totalizou 1,35 mil mlhões de dólares na tentativa de "seguir um caminho diferente" — não resultaram em nada de concreto ou produtivo. "Perante esta ameaça em constante escalada, fica claro que é precisa abordagem diferente", disse em conferência de imprensa. "A minha visita a esta região serve em parte para discutir as minhas visões sobre essa nova abordagem."

Não é certo até que ponto é que a Coreia do Sul concorda com a proposta de Tillerson, cujos contornos ainda não são conhecidos. Isto depois de, na semana passada, o Tribunal Constitucional do país ter confirmado a destituição da Presidente eleita em 2012, Park Geun-hye, por causa de um escândalo de corrupção e abuso de poder que abalou a nação e que conduziu aos maiores protestos pacíficos dos últimos 35 anos no país. A decisão abriu a possibilidade de, nas próximas eleições, que têm de ser convocadas até meados de maio, uma maioria dos sul-coreanos apostar as fichas na oposição a Park, mais favorável a uma aproximação a Pyongyang e também à China, numa altura de crescentes tensões com os Estados Unidos por causa de disputas de soberania sobre o Mar do Sul da China.

Rob McBride, correspondente da Al-Jazeera em Seul, diz que Tillerson aproveitou a visita desta manhã à DMZ para tentar negociar mais cooperação entre os aliados asiáticos e os EUA contra o país do norte da península coreana. "Tillerson disse que os EUA, o Japão e a Coreia do Sul devem reforçar a sua parceria trilateral face ao que vêem como uma agressão crescente da Coreia do Norte", explica o jornalista.

O regime de Kim Jong-un continua investido nas suas ambições de fazer da Coreia do Norte uma potência nuclear, tendo levado a cabo o primeiro teste atómico em 2006. Desde então, tem desafiado a comunidade internacional com uma série de testes de mísseis, mesmo depois de duas rondas de sanções aprovadas pela ONU. Desde o início do ano já conduziu dois testes nucleares e uma série de testes de mísseis balísticos, o último deles na semana passada, quando lançou quatro mísseis que caíram muito perto da costa noroeste do Japão.

Os Estados Unidos também estão a tentar pressionar a China para que faça mais no sentido de controlar o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, entre outras coisas através de sanções unilaterais contra Pyongyang semelhantes às que a ONU já adotou. Contudo, Pequim continua em pé-de-guerra com os EUA por causa do escudo antimísseis que o país instalou na Coreia do Sul — um que o governo chinês diz ser uma ameaça à sua segurança.