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Internacional

Merkel vai até Washington para discutir tratados comerciais e o futuro da NATO com Trump

JIM WATSON

Chanceler alemã encontra-se cara-a-cara com o novo Presidente dos EUA pela primeira vez esta sexta-feira. Vai tentar convencê-lo a manter o comércio livre contra a retórica de "pôr a América em primeiro lugar" e ainda debater a questão do financiamento da NATO e outras estratégias de política externa

A chanceler alemã Angela Merkel vai reunir-se esta sexta-feira com o Presidente norte-americano Donald Trump em Washington, naquele que é o primeiro encontro entre ambos desde que o empresário populista venceu as eleições presidenciais de 8 de novembro. No topo da agenda, Merkel leva as relações entre os aliados da NATO e a importância dos acordos comerciais como resposta concertada aos desafios da globalização — que Trump já sugeriu que quer anular — depois de o líder ter ameaçado que ia impôr "tarifas" aos fabricantes de automóveis alemães e de ter exigido que Berlim dê o exemplo aos restantes membros da aliança militar aumentando o investimento na defesa comum.

Merkel far-se-á acompanhar até à capital norte-americana por executivos de alto nível de gigantes alemãs como a Siemens, a Schaeffer e a BMW. A sua visita oficial estava inicialmente marcada para terça-feira mas teve de ser adiada por causa da tempestade de neve que varreu a costa leste dos Estados Unidos esta semana.

Antes de partir para Washington, a chanceler disse ao jornal alemão "Saarbruecker Zeitung" que está entusiasmada com a possibilidade de falar diretamente com Trump, naquele que é o primeiro encontro cara-a-cara entre os dois líderes. "É sempre melhor falarmos um com o outro do que falarmos um sobre o outro."

Durante a campanha presidencial, Donald Trump ameaçou aumentar os impostos sobre as importações alemãs como resposta ao facto de o país registar um superávit comercial (quando se exporta mais do que se importa) superior ao da América. Merkel vai sublinhar ao Presidente norte-americano que existe muito investimento direto alemão nos Estados Unidos, caso da BMW, cuja fábrica nos EUA exportou "mais carros do que a General Motors e a Ford juntas", sublinhou ontem na entrevista. "Vou deixar isso claro."

O encontro entre ambos acontece nem dois meses depois de Trump ter declarado publicamente que a chanceler Merkel cometeu "um erro catastrófico" ao permitir que centenas de milhares de refugiados e migrantes procurassem asilo na Alemanha. À data, Merkel respondeu que a União Europeia tem de assumir a sua quota-parte de responsabilidades na pior crise humanitária desde a II Guerra Mundial e deu a entender que os EUA não têm nada que comentar as decisões e estratégias políticas do bloco. "Nós, europeus, somos responsáveis pelo nosso destino", sublinhou em janeiro.

Logo a seguir, foi a chanceler quem criticou o Presidente Trump pelo decreto anti-imigração que promulgou nesse mês para proibir a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e para suspender temporariamente os programas de acolhimento de refugiados. Esse decreto foi suspenso por um tribunal federal norte-americano e entretanto substituído por outra ordem executiva que apenas retirou um dos sete países da lista e que também foi suspensa esta semana por um juiz federal do Hawai.

No rescaldo do primeiro decreto, Merkel explicou ao novo Presidente dos EUA numa conversa telefónica o conceito da Convenção de Genebra, que obriga todos os signatários, incluindo os Estados Unidos, a garantirem asilo a refugiados de guerra. Antecipa-se que o encontro desta sexta-feira vá durar ceca de duas horas, seguido de um almoço de trabalho entre oficiais da administração Trump e a delegação alemã. Na agenda dos dois líderes deverão constar ainda outros tópicos de política externa relacionados com a Rússia, a Síria, o Irão, a Coreia do Norte e o processo de paz no Médio Oriente.