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Internacional

Israel exige retirada de relatório acusador. Guterres concorda. Responsável demite-se

Drew Angerer/GETTY

Independentemente de outros fatores, a forte pressão dos EUA poderá ter tido um efeito na reação oficial da ONU

Luís M. Faria

Jornalista

Os Estados Unidos exigiram que fosse retirado, António Guterres concordou, e a responsável demitiu-se. Pode-se resumir assim a historia do polémico relatório sobre Israel que a Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental (ESCWA), sediada em Beirute, publicou na passada quarta-feira.

O relatório, elaborado por um professor reformado de Princeton e uma cientista política, intitulado “Práticas Israelitas em Relação ao Povo Palestiniano e a Questão do Apartheid”, acusa Israel de praticar o apartheid “tal como definido em instrumentos da lei internacional”. Ao permitir que qualquer judeu se mude para Israel independentemente de ter ligações à terra mas negar o mesmo direito aos palestinianos, aplica “engenharia demográfica”.

Logo na quarta-feira, os Estados Unidos reagiram muito negativamente. A embaixadora do país na ONU, Nikki Haley, declarou-se escandalizada. O secretário-geral da organização, António Guterres, rapidamente fez saber se demarcava. “O relatório não reflete os pontos de vista do secretário-geral” mas dos seus autores, explicou um porta-voz de Guterres.

Os EUA insistiram. O secretariado fez bem em demarcar-se, disseram, mas “deve ir mais longe e retirar completamente o relatório”. Guterres não demorou a exigir que assim fosse feito, retirando-se da internet o relatório ofensivo. Foi então que a secretária executiva da comissão, a diplomata jordana Rima Khalaf, anunciou que se demitia.

Israel congratulou-se com a decisão. "Khalaf trabalha há anos para prejudicar Israel e promover e BDS [o movimento pelo boicote, desinvestimento e sanções a Israel] e devia ter deixado o seu lugar há muito tempo”, disse o enviado de Telavive na organização. Khalaf continua a defender o relatório, dizendo que fala dos “crimes que Israel continua a cometer contra o povo palestiniano, e que são crimes contra a humanidade”. Israel responde fazendo comparações com a propaganda nazi.