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Espiões britânicos: acusação repetida por Trump "é disparatada, ridícula e deve ser ignorada"

Um graffiti atribuído a Banksy satiriza a espionagem britânica a pouca distância da sede da agência de informação e monitorização de comunicações do governo britânico (GCHQ)

Matt Cardy

Em comunicado, a agência de espionagem eletrónica do Reino Unido desmentiu as alegações infundadas feitas inicialmente por um ex-juiz na Fox News a que a Casa Branca recorreu quinta-feira à noite para defender o Presidente

Depois de Donald Trump ter acusado Barack Obama de ordenar escutas à sua sede de campanha durante a corrida presidencial — e de a sua conselheira Kellyanne Conway ter aparecido na televisão a sugerir que o ex-Presidente recorreu a aparelhos microondas para monitorizar o candidato republicano à presidência — a Casa Branca alegou quinta-feira que foi através da agência de espionagem eletrónica do Reino Unido (GCHQ) que o antecessor de Trump o espiou já depois de ele ter derrotado Hillary Clinton.

A alegação foi inicialmente avançada pela Fox News no início da semana e repescada por Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, numa conferência de imprensa na quinta-feira à noite. "Ele [Obama] não recorreu à Agência de Segurança Nacional [NSA], nem à CIA nem ao FBI nem ao Departamento de Justiça, ele usou a GCHQ", disse o porta-voz da administração. "Três fontes dos serviços de informação informaram a Fox News de que o Presidente Obama recorreu [a uma agência] fora da cadeia de comando" dos EUA, acrescentou Spicer, com base em declarações do ex-juiz Andrew Napolitano naquele canal de televisão.

Numa rara e dura tomada de posição, a agência britânica refutou as acusações como "disparatadas e totalmente ridículas", com um porta-voz dos espiões a dizer em conunicado que "devem ser ignoradas". "As alegações recentes feitas pelo comentador de televisão Andrew Napolitano sobre a GCHQ receber um pedido para conduzir escutas ao então Presidente eleito são um disparate", lê-se no documento citado pela BBC. "São completamente ridículas e devem ser ignoradas."

A nova acusação surgiu horas depois de uma comissão do Senado norte-americano ter concluído que "não existem indicações" de que a Torre Trump tenha estado sob vigilância do anterior governo norte-americano antes ou depois das eleições de 8 de novembro ou sequer de que os telefones do atual Presidente tenham sido alvos de escutas. Trump continua agarrado a essa teoria infundada sem apresentar quaisquer provas que a sustentem.