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Internacional

Homem condenado a quase 11 anos de cadeia por ciberbullying

Aydan Coban enfrenta um segundo julgamento pelo caso dramático de Amanda Todd, que comoveu o Canadá e não só

Luís M. Faria

Jornalista

Um homem acaba de ser condenado por um tribunal holandês a dez anos e 243 dias de cadeia por ciberbullying. Aydin Coban, um turco holandês de 38 anos, fazia-se passar por rapariga (e às vezes por rapaz, quando o alvo eram gays) e comunicava com adolescentes. Conseguia que as suas 'amigas' se despissem e filmava-as. A seguir fazia chantagem com elas, ou punha o video na internet. Pelo menos uma das vítimas suicidou-se.

Além da extorsão, estão em causa crimes de aliciamento de menores, posse de pornografia infantil e violação, afetando pessoas que vão desde a Holanda e outros países europeus até ao Canadá e a Austrália. As vítimas conhecidas ultrapassam as três dezenas.

O caso mais grave, que será objeto de um julgamento separado, terá sido o de Amanda Todd, uma canadiana de 15 anos que expôs a sua angústia no Facebook. Após ter sido convencida a expor os seios, soube que as imagens estavam a circular na internet. O pânico foi agravado pelo facto de começar a ser maltratada, primeiro online e depois fisicamente, quando a agrediram na escola.

Embora tenha mudado de escola, continuou a ser perseguida por Coban, que usava nomes diversos para estabelecer contacto com gente próxima de Amanda. Enviava as imagens dela para outros estudantes, bem como para os professores e os pais. A depressão de Amanda agravou-se e acabou tragicamente.

Num comunicado à imprensa, o tribunal holandês que agora condenou Aydan disse que o alvo principal de Coban foram "dezenas de raparigas novas" e notou que "ele não se ficava pelas ameaças". "Se uma rapariga não cumprisse as suas exigências, ele não hesitava em enviar imagens sexuais à família e aos amigos das vítimas ou colocar essas imagens na internet. É claro que isso pode ter um grande impacto no desenvolvimento pessoal das raparigas."

O tribunal holandês explicou que aplicou a pena máxima a Coban por haver um sério risco de reincidir. Agora caberá ao Supremo Tribunal do país decidir se autoriza a extradição para o Canadá. A decisão é esperada a 4 de abril.