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Internacional

Dois espiões russos indiciados por ciberataque que afetou 500 milhões de utilizadores da Yahoo

Justin Sullivan

Os agentes do FSB (ex-KGB) são acusados de “proteger, dirigir, facilitar e financiar” o ciberataque massivo de 2014, o primeiro desta envergadura a ser atribuído a um “Estado-nação”. Dois “hackers criminosos” também estão indiciados e apenas um dos quatro acusados já foi capturado, diz o Departamento de Justiça dos EUA

Dois espiões da agência russa de informação FSB (ex-KGB) e dois "hackers criminosos" foram indiciados nos Estados Unidos pelo ciberataque massivo que, em 2014, expôs os dados de 500 milhões de utilizadores da Yahoo. O anúncio foi feito pelo Departamento da Justiça norte-americano esta quarta-feira à noite, confirmando as suspeitas de envolvimento da Rússia naquele foi um dos maiores ataques online da história da internet; os investigadores dizem que o FSB se envolveu no ciberataque para "ganhos financeiros e de espionagem".

O governo americano também alega que, nesse ataque, os responsáveis acederam ao conteúdo de pelo menos 30 milhões de contas de utilizadores da Yahoo através de uma campanha de spam – com pelo menos 18 utilizadores de outros fornecedores de serviços de internet, como a Google, a serem afetados.

Os espiões Dmitry Dokuchaev e Igor Sushchin são acusados de "proteger, dirigir, facilitar e pagar a hackers ciminosos para recolherem informações através de intrusões em computadores nos Estados Unidos e noutras partes do mundo", explicou Mary McCord, vice-procuradora-geral interina dos EUA. Os dois agentes contrataram os serviços dos hackers Alexsey Belan e Karim Baratov, que também foram indiciados. "Os réus atacaram contas de funcionários dos governos dos EUA e da Rússia, incluindo diplomatas, pessoal militar e especialistas de cibersegurança", explicou McCord. "Também tiveram como alvos jornalistas russos e e vários funcionários de outras empresas cibernéticas cujas redes os conspiradores tentaram explorar, bem como empregados de entidades comerciais e de serviços financeiros."

Baratov foi preso esta semana no Canadá; para já não foram avançadas informações sobre os outros três acusados. De acordo com uma fonte russa "bem colocada" citada pelas agências TASS, Ria e Interfax, Wahsington ainda não contactou o governo de Vladimir Putin para o informar sobre as acusações formais.

O ataque à Yahoo em 2014 foi apenas revelado no ano passado e representa uma das maiores violações de privacidade de dados na internet; foi a primeira vez que um ciberataque desta envergadura foi atribuído a um "Estado-nação" e não a grupos de hackers.

O correspondente da Al-Jazeera na Casa Branca diz que "não existem ligações diretas" entre o ataque à Yahoo e os ciberataques aos sistemas informáticos do Partido Democrata durante a corrida à Casa Branca. "Mas o facto de [o governo americano] estar a acusar formalmente dois membros do FSB – o sucessor do KGB da era soviética – demonstra o tipo de atividades cibernéticas em que o governo russo pode estar envolvido", acrescenta James Bays. "Claramente, continua a haver questões sobre a campanha eleitoral [americana], sobre o que é que a Rússia andou ali a fazer e sobre se houve conluio entre [o governo de Putin] e membros da campanha de Trump ou qualquer pessoa ligada a ele."