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Expresso

Internacional

Desabamento de gigantesca pilha de lixo já fez pelo menos 113 mortos

TIKSA NEGERI/ Reuters

A tragédia ocorrida há dias na Etiópia vitimou muitas crianças

Luís M. Faria

Jornalista

Segundo informações oficiais de quarta-feira à noite, já vai em 113 o número oficial de mortos resultantes do desabamento de uma montanha de lixo nos arredores de Adis Abeba, a capital da Etiópia, no sábado passado.

O local é um aterro sanitário que existe há mais de 50 anos. As pessoas conhecem-no por 'Koshe', poeira. Muitas vão lá para tentar obter alguma coisa que possam vender ou aproveitar. Outros vivem simplesmente no local, em casas improvisadas, umas na base e outras no topo. Parte dessas casas ficaram agora soterradas, e as autoridades colocaram algumas centenas de pessoas em alojamentos temporários.

Já antes tinha havido desabamentos, mas não com mais de dois ou três mortos. O que aconteceu no fim-de-semana tem uma dimensão completamente diferente. Logo na altura falou-se em sessenta vítimas, e o número não parou de subir. O ministro da Comunicações explicou que até ao momento foram recuperados 75 cadáveres do sexo feminino e 38 do sexo masculino - em muitos casos, crianças.

Os trabalhos continuam, mas a esperança é cada vez menor. Embora se tenha ido buscar escavadoras a vários estaleiros pela cidade fora, não foi possível retirar toda a gente (houve quem estivesse preso e tentasse pedir ajuda). As autoridades decretaram três dias de luto nacional.

O ministro das Comunicações do país manifestou-se algo perplexo: "Não há uma explicação para este acidente, exceto, naturalmente, que esta pilha de lixo deve ter sido abalada. A investigação continua". Por sua vez, um responsável do departamento de emergências da cidade afirmou a determinação de não desistir de salvar mais pessoas: "Vamos continuar o esforço até nos mandarem parar".

O ministro garantiu que as autoridades estão há algum tempo a tentar realojar os milhares de residentes no local. Existe igualmente o projeto de construir uma fábrica para transformar em energia o lixo ali depositado, que se estima numas 300 mil toneladas anuais.

Este é um tipo de tragédia que se verifica de vez em quando em países muito pobres. Em 2015, aconteceu uma semelhante em Shenzen, na China. A par com os desabamentos, existem ainda outros riscos. O gás metano que se solta do lixo, por exemplo, pode dar origem a pequenos incêndios.